Após foco da doença de Newcastle, mais de 6,5 mil aves são eliminadas em Santa Catarina

    Cidasc mobiliza 15 equipes para vistoriar 1.680 propriedades rurais e investigar possíveis novos casos da doença no Oeste catarinense

    Profissional com equipamento de proteção sanitária observa perus em uma granja durante ações de vigilância para conter o foco da doença de Newcastle em Santa Catarina.
    Equipes de campo realizam vistorias em granjas comerciais e propriedades com aves de subsistência para investigar possíveis novos casos da doença de Newcastle. Foto: Kelly Magri/Divulgação

    A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) intensificaram as ações para conter o foco da doença de Newcastle em Nova Itaberaba, no Oeste catarinense. O trabalho prevê a vistoria de 1.680 propriedades rurais, a coleta de amostras para exames laboratoriais e a desinfecção da granja onde as autoridades identificaram o vírus.

    Para coordenar a operação, os órgãos instalaram um Centro de Operações de Emergência em Saúde Animal (Coezoo). A estrutura reúne instituições estaduais e federais, além de representantes do setor produtivo.

    Desde terça-feira (20), 15 equipes realizam a vigilância epidemiológica nas propriedades próximas ao foco. Cada grupo conta com pelo menos um médico-veterinário. Em dois dias, os profissionais visitaram 46 propriedades com aves de subsistência e também inspecionaram estabelecimentos comerciais.

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    Entre os locais vistoriados estão 20 granjas de frangos de corte, duas propriedades de recria, um matrizeiro e um incubatório. Além disso, as equipes passaram por quatro propriedades de criação de perus e outras oito unidades rurais. Durante as inspeções nos estabelecimentos comerciais, os profissionais coletaram amostras para análise laboratorial.

    Mais de 6,5 mil aves foram eliminadas

    A granja de perus onde ocorreu o foco já passou pelo processo de despovoamento sanitário. Segundo a Cidasc, as equipes concluíram, na quarta-feira (21), o enterro de 6.526 aves e de insumos da propriedade.

    Para isso, os profissionais utilizaram uma vala preparada conforme as normas técnicas, com aprovação das autoridades ambientais. Já nesta quinta-feira (22), três veterinários da Cidasc acompanham a limpeza e a desinfecção das instalações.

    O procedimento envolve diferentes etapas e a aplicação de produtos específicos para eliminar possíveis fontes de contaminação. No entanto, a granja só poderá retomar as atividades após cumprir o período de vazio sanitário e as exigências dos órgãos responsáveis.

    Vigilância vai alcançar 1.680 propriedades rurais

    A Cidasc manterá o monitoramento nas áreas próximas ao foco da doença de Newcastle. Ao todo, as equipes deverão vistoriar 166 propriedades em um raio de três quilômetros e outras 1.514 na área de vigilância de até dez quilômetros.

    Para organizar as visitas, os profissionais utilizam registros georreferenciados da companhia. Dessa forma, conseguem identificar o tipo de criação e a quantidade de animais em cada estabelecimento.

    A operação também conta com a participação do Ministério do Desenvolvimento Regional, do Ministério da Defesa, da Defesa Civil de Santa Catarina, da Polícia Civil e do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa), além do setor produtivo.

    Ao mesmo tempo, a Cidasc reforça as orientações sanitárias aos produtores e moradores da região. O objetivo é identificar rapidamente possíveis casos suspeitos e evitar a disseminação do vírus.

    Quais são os sintomas da doença de Newcastle?

    A doença de Newcastle é uma infecção viral altamente contagiosa que atinge aves domésticas e silvestres. Dependendo da gravidade, pode provocar elevada mortalidade nos plantéis e causar prejuízos econômicos à avicultura.

    Entre os principais sinais clínicos estão:

    • Crista e barbela inchadas, com coloração arroxeada;
    • Coriza e secreção nos olhos;
    • Diarreia;
    • Torcicolo;
    • Falta de apetite;
    • Redução do consumo de água e ração;
    • Queda na produção de ovos.

    Por isso, a Cidasc orienta os criadores a comunicar imediatamente qualquer suspeita da doença. A notificação pode ser feita no escritório local da companhia ou pelo sistema e-Sisbravet. Assim, as equipes podem investigar os casos e adotar as medidas sanitárias necessárias.

    Consumo de carne de aves e ovos continua seguro

    Apesar do alto potencial de transmissão entre aves, a doença de Newcastle representa baixo risco à saúde humana. Pessoas que mantêm contato direto com animais contaminados podem apresentar conjuntivite.

    Conforme as orientações sanitárias, a doença não é transmitida pelo consumo de alimentos. Portanto, carne de aves e ovos provenientes de estabelecimentos registrados nos serviços de inspeção sanitária continuam seguros para consumo.

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