Câmara de Florianópolis homenageia o jornalista Ildefonso Juvenal da Silva

Major da PM, foi o primeiro negro formado em farmácia em Santa Catarina, como também jornalista, poeta e cronista, criando uma vasta obra literária e memorial

Ildefonso Juvenal da Silva nasceu em 1894 na antiga Desterro e viveu sua juventude na região do Estreito, então São José - Foto: Divulgação
Ildefonso Juvenal da Silva nasceu em 1894 na antiga Desterro e viveu sua juventude na região do Estreito, então São José - Foto: Divulgação

A Câmara Municipal de Florianópolis homenageou na sessão desta segunda-feira (22/4) a memória de Ildefonso Juvenal da Silva. Major da PM,
foi o primeiro negro formado em farmácia em Santa Catarina, militante no jornalismo, além de poeta e cronista, criando uma vasta obra literária e memorial.

Nascido na antiga Desterro no outono de 1894, Ildefonso era filho de Ovídio Medeiros da Silva e Henriqueta Castro e Silva. Órfão de pai aos 12 anos, foi alistado na Escola de Aprendizes a Marinheiros, sediado na parte continental de Florianópolis, onde se presume ter aprendido o ofício de tipógrafo. Faleceu em 9 de março de 1965.

Ildefonso Juvenal publicou seu primeiro livro, “Contos Singelos”, em 1914. Depois vieram “Páginas Simples” (1916), “Painéis” (1918), “Relevos” (1919), “Páginas Singelas” (1929), “Contos de Natal” (1939) e “Teatro” (1942). Ao total foram 17 títulos, além do trabalho nas imprensas catarinense, gaúcha e paranaense.

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Membro de diversas associações literárias, foi cofundador da Associação dos Homens de Cor, do Centro Cívico e Recreativo José Boiteux, do Centro Catarinense de Letras, da Associação Promotora da Herma de Cruz e Sousa e da Associação dos Farmacêuticos de Santa Catarina. Ele também foi um dos grandes batalhadores pelo desenvolvimento do bairro do Estreito, tendo presidido a antiga Sociedade Amigos do Estreito.

Fábio Garcia, autor do livro “Ildefonso Juvenal da Silva, um memorialista negro no Sul do Brasil”, explicou na sessão da Câmara desta segunda que a obra é resultado de mais de 15 anos de pesquisa em arquivos, bibliotecas e entrevistas. “São 90 artigos escritos por Juvenal entre os anos de 1911 a 1964. Foram identificados 19 livros em prosa, poesia, contos, teatro, só na imprensa catarinense foram encontrados mais de 400 artigos”, disse o autor.

O autor do requerimento para a homenagem, vereador Lino Peres (PT), parabenizou a Casa Legislativa por atuar no combate à invisibilidade dos sujeitos que foram autores da história de Florianópolis. “Parabenizamos também sua neta, que tem representado a família nas atividades alusivas ao homenageado”, disse o vereador.

Dione da Silva Martins, neta de Juvenal, usou a Tribuna para agradecer a Câmara pela homenagem: “Ajuda a valorizar a nossa história”, afirmou.

A Lei 6.463, de 1984, instituiu a medalha de Mérito Intelectual “Major Ildefonso Juvenal” para ser concedida ao primeiro colocado no Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais da Polícia Militar.

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