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Uma das nascentes do Rio Araújo, em curso que desce ao lado da Rua Sebastião Nogueira de Carvalho, é preservada pelos moradores do entorno Foto: Lucas Cervenka/CSC

O Rio Araújo é um dos principais cursos de água de São José. Com cinco nascentes, cruza a BR 101, a Via Expressa e os bairros Campinas, Floresta, Nossa Senhora do Rosário e Bela Vista, onde há o trecho em que ainda é limpo e potável.

Há anos se fala em tentar recuperar o rio, que recebe em seus 5,3 quilômetros de extensão diversos despejos de resíduos. Próximo à foz, na divisa com Florianópolis, é evidente pelo mau cheiro que se trata de um rio morto.

Desde 2011, a 10ª promotoria de Justiça do Ministério Público de Santa Catarina tem ação civil pública ambiental aberta contra a Prefeitura de São José, Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina e Casan com objetivo de recuperar o rio. Na ação, o MP pede que se promovam medidas conjuntas para identificar todas as ligações de esgoto para o Rio Araújo, com as respectivas autuações e lacres dos efluentes clandestinos.

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Entre idas e vindas de recursos na Justiça, foi determinado em 2017 o trabalho de uma perita ambiental para um diagnóstico completo de toda a situação. Até hoje é incerta, por exemplo, a quantidade de imóveis que têm ligações clandestinas ao rio. No último dia 25 de junho, a Justiça determinou que os três réus na ação dividam as custas para bancar o trabalho.

Tentativas

As tentativas de acabar com a poluição do rio nunca cessaram. Em 2014, por exemplo, foi instalado na praça de Campinas um sistema que prometia despoluir até 15m³ de água do rio por hora, mas atualmente está em desuso.

Em setembro do ano passado, a Prefeitura de São José e a Casan iniciaram um plano para despoluir o Rio Araújo. O trabalho é para obrigar os donos de imóveis a promover as devidas ligações à rede de esgoto, e não na rede pluvial dos bairros no entorno.

A campanha acompanharia a expansão da rede de esgotamento, que teve instalação recente nos bairros Floresta, Nossa Senhora do Rosário e Bela Vista. O bairro de Campinas é o único no curso do rio em que já há toda a rede de esgoto, restando o problema das ligações clandestinas.

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A situação do rio no trecho do bairro Campinas, ao lado da Via Expressa, já é muito diferente
Foto: Lucas Cervenka/CSC
Projeto da Câmara: SOS Rio Araújo

Também está em debate na Câmara de São José um projeto de lei para criar um programa denominado “S.O.S Rio Araújo”. Com o mesmo objetivo de despoluir, o projeto prevê a fiscalização de toda a forma de lançamento de esgoto clandestino no rio (lixos, pneus, materiais plásticos e qualquer produto nocivo), além de cadastrar as fábricas e empresas localizadas na proximidade do rio e os materiais por elas utilizados, e a implantação e melhoria do sistema de esgoto sanitário nas comunidades e empresas nas proximidades do rio.

Para o vereador Edilson Vieira, autor do projeto, o programa será mais uma ferramenta para reforçar a parceria entre os órgãos responsáveis, de modo a promover a efetiva despoluição do Rio Araújo, e promover a consciência ambiental. “Caso dê certo esse projeto piloto será também feito para os outros rios do município que estão em péssima situação”, diz o vereador. Edilson reforça que o rio é recuperável, com pouco investimento.

Em breve será marcada uma audiência pública na Câmara para debater o tema.

Moradores cuidam

Moradores da Rua Sebastião Nogueira de Carvalho, no bairro Bela Vista, também procuram cuidar do trecho do rio que passa próximo às suas residências. Com a lembrança de que o curso d’água já foi muito mais robusto, não deixam de promover pequenas ações. Márcio Osmar de Oliveira é um desses moradores que pedem por mais consciência sobre o rio. “A gente sempre pede para as pessoas não cortarem as árvores em volta, não jogarem lixo, e até instalamos placas sobre isso há mais de dez anos”, diz Márcio.

Ao lado da rua, há uma pequena área de mata onde o rio passa por bambuzais e ainda limpo. “O poder público poderia vir mais vezes para cá e olhar essa região, junto com a comunidade, e nos ajudar, tirando algum lixo que tenha nessa região e ajudar a preservar”, sinaliza o morador.

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