Florianópolis inaugura neste sábado sua primeira xiloteca pública, no Jardim Botânico

Exposição permanente de coleção científica de madeiras reúne mais de 200 peças e começa neste sábado, 22 de agosto, às 10h

Foto de exposição de madeiras na xiloteca em Florianópolis
Foto: Felipe Szterling/PMF/Divulgação

Florianópolis inaugura neste sábado (22), às 10h, a primeira xiloteca pública da cidade, no Jardim Botânico. O espaço reúne mais de 200 peças de madeira de mais de 100 espécies de árvores nativas e exóticas. A visitação é gratuita de terça-feira a domingo, das 7h às 19h.

A iniciativa envolve a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e reúne um acervo voltado à pesquisa, à identificação de espécies, ao ensino e à educação ambiental. A palavra xiloteca vem dos termos gregos xýlon, que significa madeira, e théke, que significa coleção ou guarda. Assim como uma biblioteca reúne livros, a xiloteca reúne amostras catalogadas com informações sobre as espécies, a origem das árvores e as condições em que elas cresceram.

A coleção subsidia estudos científicos e documenta a diversidade das madeiras catarinenses. O acervo reúne espécies nativas e exóticas e chegou ao Jardim Botânico por meio da Associação do Jardim Botânico de Florianópolis (AJBF).

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“O acervo foi disponibilizado ao Jardim Botânico de Florianópolis e a transferência assegura a preservação do material, além de ampliar seu papel na pesquisa, na conservação e na divulgação do conhecimento científico”, explica o presidente da AJBF, o pesquisador Dr. Zenório Piana.

Para o secretário adjunto de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, William Nunes, a xiloteca também aproxima a ciência do público. “Uma xiloteca não conserva apenas madeira. Ela conserva conhecimento sobre as florestas, sobre o clima do passado e sobre a relação entre as pessoas e as árvores. Trazer esse acervo para um espaço público e gratuito significa colocar ciência ao alcance de quem visita o Jardim Botânico”, afirma.

Exposição mostra a história das árvores

A exposição convida o público a observar a madeira além de seu uso cotidiano. O percurso mostra como o tronco registra as condições ambientais enfrentadas por uma árvore ao longo da vida. A disponibilidade de luz, os ventos predominantes, os períodos de seca, a inclinação do terreno e a perda de galhos durante tempestades deixam marcas na estrutura da madeira. Curvas, nós e deformações, portanto, ajudam a revelar parte da história de cada indivíduo.

Um dos núcleos destaca os anéis de crescimento, formados a cada ciclo anual. Anéis largos indicam anos de crescimento intenso, enquanto anéis estreitos apontam períodos de dificuldade, como secas e frio. Dessa maneira, um disco de madeira funciona como um arquivo natural do clima.

Outro espaço apresenta amostras de espécies exóticas suspensas em diferentes alturas, conforme o peso. As peças mais leves ocupam as posições superiores, enquanto as mais densas ficam próximas ao solo. As madeiras vêm de árvores originárias da América do Norte, América Central, Europa, África, Ásia e Oceania.

A mostra também apresenta fragmentos de madeira petrificada, em que minerais substituíram a matéria orgânica ao longo de milhões de anos sem eliminar a estrutura original. Além disso, um núcleo explica a nomenclatura científica e mostra por que uma mesma espécie recebe diferentes nomes populares em cada região do país. Um painel completa a exposição com exemplos da presença da madeira na criação artística, como esculturas, máscaras, instrumentos musicais, xilogravura e arte sacra.

Araucária será destaque da exposição

Até o fim do ano, a xiloteca deve receber uma das peças mais importantes do acervo: um disco retirado do tronco da quarta maior araucária (Araucaria angustifolia) do Brasil, conhecida como Pinheirão. A árvore ficava na Estação Experimental da Embrapa, em Caçador, no Meio-Oeste catarinense, e tombou em maio deste ano. O exemplar tinha 44 metros de altura e 2,45 metros de diâmetro à altura do peito.

O disco ainda passa por um processo de secagem antes de seguir para o Jardim Botânico. A etapa precisa ser concluída para evitar rachaduras e garantir a preservação da madeira.

“Ainda vamos receber uma ‘bolacha’ da quarta maior araucária do Brasil. É o disco de uma árvore que foi acompanhada por pesquisadores durante décadas. A peça ainda está em processo de secagem, que precisa ser completa para que a madeira não rache. Assim que estiver estabilizada, ela vem para o Jardim Botânico. Vai ser a estrela da nossa exposição”, afirma o gerente do Jardim Botânico de Florianópolis, Roberto Amaro.

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