Florianópolis intensifica acompanhamento de casos de transtorno de acumulação

Imagem mostra itens recolhidos em residências durante ações da Prefeitura de Florianópolis para reduzir riscos sanitários em casos de transtorno de acumulação.
Foto: PMF/Divulgação

A Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis intensificou, nos últimos meses, as ações para identificar e acompanhar pessoas com transtorno de acumulação. Como resultado desse trabalho, apenas no último ano, as equipes mapearam 90 casos em diferentes regiões da cidade. Além disso, a força-tarefa permitiu a retirada de cerca de 10 toneladas de materiais acumulados em 15 residências.

Além de comprometer a qualidade de vida dos moradores, o acúmulo excessivo de objetos gera impacto direto na saúde pública. Isso porque ambientes com grande volume de materiais favorecem, por exemplo, a proliferação de insetos e roedores. Consequentemente, também aumentam os focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. Nesse contexto, a Vigilância em Saúde observa um crescimento dos casos de acumuladores após a pandemia da Covid-19, período que, ao mesmo tempo, coincidiu com sucessivas epidemias de dengue no município.

Quando se observa a distribuição geográfica, a região Sul da Ilha concentra o maior número de registros, com 34 casos. Em seguida, aparecem o Norte da Ilha, com 27, e o Continente, com 15 ocorrências. Já o Centro soma 7 casos, enquanto o Leste da Ilha registra 6.

Denúncias dão início às ações
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Na maioria das situações, as ações têm início a partir de denúncias anônimas feitas pela população. Para isso, os moradores podem acionar a Vigilância Sanitária da Prefeitura de Florianópolis pelo site oficial ou pelo telefone (48) 3212-3902. A partir dessas informações, as equipes realizam as avaliações técnicas e dão sequência aos atendimentos.

Segundo a diretora da Vigilância em Saúde, Lani Martinello, o transtorno de acumulação não deve ser tratado apenas como um problema de limpeza ou fiscalização. Pelo contrário, trata-se de uma condição frequentemente associada à saúde mental. Por isso, o objetivo principal das ações é proteger a saúde coletiva e, ao mesmo tempo, garantir cuidado e acolhimento às pessoas em situação de vulnerabilidade. Em muitos casos, gatilhos emocionais como separação, abandono ou perda de vínculos familiares estão na origem do transtorno.

Dessa forma, o trabalho de abordagem ocorre de maneira integrada. Inicialmente, a Diretoria de Vigilância em Saúde articula o atendimento com a Diretoria de Atenção à Saúde. Em seguida, aciona a rede de serviços do território onde a pessoa reside. Conforme a avaliação, o paciente passa a receber acompanhamento com psicólogo e assistente social na Atenção Primária ou, quando indicado, no Centro de Atenção Psicossocial.

Durante as abordagens, as equipes costumam identificar eletrodomésticos, móveis, madeira, roupas e outros objetos diversos acumulados ao longo do tempo. Embora muitos itens pudessem ser reaproveitados, eles permanecem acumulados nas residências. Por isso, a Comcap realiza o recolhimento dos resíduos somente com a autorização da família ou do proprietário do imóvel.

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