Operação Entre Lobos II mira organização criminosa e esquema interestadual de golpes contra idosos

A ação cumpriu 13 mandados em seis cidades de Santa Catarina, bloqueou cerca de R$ 9,6 milhões, apreendeu carros de luxo e impôs medidas cautelares, como o monitoramento eletrônico de quatro investigados.

Agentes do Gaeco cumprindo mandados de prisão na Operação entre Lobos II

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) deflagrou, na manhã desta terça-feira (20/01), a Operação Entre Lobos II. A ação ocorre sob coordenação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e dá suporte à investigação conduzida pela Promotoria de Justiça da Comarca de Modelo.

Durante a operação, as equipes cumpriram 13 mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram em São Miguel do Oeste, Caibi, Chapecó, Lages, Itajaí e São José. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias dos investigados em até R$ 9,6 milhões. Também autorizou a apreensão de veículos de luxo.

Medidas cautelares impostas pela Justiça

A Vara Estadual de Organizações Criminosas expediu as ordens judiciais após pedido da Promotoria de Justiça de Modelo. Ao mesmo tempo, o Judiciário impôs medidas cautelares alternativas à prisão. Entre elas, fixou o monitoramento eletrônico de quatro investigados, suspendeu o exercício de funções em empresas apuradas e proibiu a solicitação ou o recebimento de valores por meio de alvarás judiciais ligados às empresas de fachada do grupo.

Publicidade

Entre os alvos da operação, quatro são advogados. As equipes cumpriram as ordens com a presença de representante da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Esquema sofisticado de fraude

A nova fase amplia as apurações iniciadas em julho do ano passado, durante a primeira etapa da Operação Entre Lobos. Desde então, o aprofundamento das investigações revelou um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça. Segundo o Ministério Público, o grupo estruturou as ações para manter o esquema ativo e assegurar o recebimento de valores ilícitos oriundos de processos judiciais envolvendo vítimas da fraude.

Após a primeira fase da operação, um terceiro investigado assumiu a responsabilidade pelo escritório que estava no centro das apurações. Além disso, a investigação identificou a criação de uma nova empresa de fachada. De acordo com os promotores, a estrutura servia para aplicar golpes em idosos por meio da compra de cessões de créditos judiciais em ações bancárias.

A Operação Entre Lobos II dá continuidade à ação realizada em 22 de julho de 2025, que ocorreu em cinco estados: Santa Catarina, Ceará, Rio Grande do Sul, Bahia e Alagoas. O objetivo da operação é desarticular uma organização criminosa suspeita de aplicar estelionatos contra, no mínimo, 280 idosos em situação de vulnerabilidade. Além disso, a investigação apura crimes de organização criminosa, patrocínio infiel e lavagem de dinheiro.

Durante a deflagração desta fase, o GAECO contou com o apoio das Polícias Militar e Civil de Santa Catarina.

O nome da operação reforça a gravidade dos crimes investigados. Conforme o MPSC, os envolvidos abusaram da confiança de clientes, em sua maioria idosos, ao se apropriar de valores de forma fraudulenta. Ao mesmo tempo, a denominação homenageia uma das vítimas, já falecida, de sobrenome Wolf.

Os materiais apreendidos seguem para a Polícia Científica, que realizará as perícias necessárias. A partir dos laudos, o GAECO dará continuidade às diligências, buscará identificar novos envolvidos e aprofundará a apuração sobre a possível existência de uma rede criminosa ainda maior.

Publicidade