OPINIÃO – Casas noturnas funcionam à revelia do que determina o governo estadual

Oficialmente nesse sextou de 18 de dezembro só ta rolando balada em Xanxerê

Na balada, pouco importa o rolê do coronavírus. A festa flui solta, à revelia do que está acontecendo nos tantos por cento de UTI ocupada. Na night, o novo normal voltou a ser o velho normal, com a única diferença que se usa máscara para ir e para voltar.

Escrevo esse artigo ouvindo uma balada em alto e bom tom no norte da ilha. Não há decreto da madrugada – o tal do toque de recolher que se recolheu em si – não há adequação à categoria de risco gravíssimo. Mapa de SC em vermelho? Pra muita gente isso não significa nada.

O governo de Santa Catarina editou novo decreto nessa sexta-feira (18). Literalmente o milionésimo, vigésimo sétimo decreto estadual desse ano. Não vá me dizer que você esqueceu dos mil e vinte e seis anteriores. Não se perca. Diz assim: “Art. 8º-A. § 4º Fica estabelecido o rol de atividades regradas de acordo com a matriz de risco epidemiológico-sanitário (…) III – casas noturnas: a) proibidas no nível gravíssimo“.

placa dizendo "é proibido dançar agarrado mas se quiser pode"
Está decretado que é proibido – mas o que é real, nem sempre é oficial – Divulgação/CSC
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Não pode? Com tanta balada rolando por aí dizem que agora não pode? Quer dizer, poder, nunca pode, mas tá podendo. Ou “está tendo”. Quase todo mundo sabe que está tendo. Funciona assim: a balada tá proibida, a não ser que seja do tipo restaurante. Todo mundo sentado e distanciado, comendo e bebendo de máscara, se é que é isso que algum decreto decretou, e encenando civilidade. Lá pelas tantas, claro, todo mundo já junto e misturado, máscara virou lenda. Se chegar algum fiscal, pessoal lá de fora (manobristas, seguranças, olheiros de tainha fazendo bicos) avisa: tá vindo a fiscalização. Todo mundo na balada, numa organização de dar inveja ao exército, senta e põe a máscara. Faz cara de distanciamento social. Fiscais entram, tiram fotos, cumprimentam alguém e em algumas ocasiões podem até sair com a mão meio úmida, mas não de álcool em gel. Tchau. Tudo volta ao velho normal.

Claro que o problema não é o que o governo do estado determina ou não, se a fiscalização multa o empreendedor ou não, mas sim a consciência das pessoas. Tem gente que não está nem aí pra vírus nenhum – veja por exemplo o HIV, que vem ganhando terreno. O jovem diz: “Máscara? Camisinha? Se pegar eu dou um jeito, mas nem penso nisso”.

Então, é essa a notícia. Casas noturnas estão liberadas em Santa Catarina, mas não pelo decreto 1.027/2020. Por esse pdf, só quando a situação for laranja. E olha lá, só vai poder entrar oficialmente 2 de cada 10 que estão entrando. Então, oficialmente nesse sextou de 18 de dezembro só está rolando balada em Xanxerê e região. Mas o que é oficial nem sempre é real e vice-versa.

Com as vacinas dando os primeiros lampejos no horizonte internacional, por aqui uma galera já decretou, na prática, o “finalzinho da pandemia”.

Por Lucas Cervenka – redacao@correiosc.com.br

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