Opinião: Deputados antivacinas usam a Alesc para repudiar principal solução da pandemia

Há ainda muita lorota nas cabeças vazias dos negacionistas

bancada da alesc dos deputados antivacinas com faixa à frente inscrita
Freak Show na Alesc: na semana em que SC alcança 20 mil mortos por conta da Covid, deputados querem reduzir vacinação em nome de projetos eleitoreiros - Foto: Bruno Collaço/Agência Alesc

Deputados estaduais antivacinas usaram a Assembleia Legislativa de Santa Catarina nesta quinta-feira (2/12) para promover um evento de repúdio à principal solução da pandemia de coronavírus, as vacinas.

Durante horas, negacionistas convidados por esses deputados relativizaram a eficácia das vacinas e colocaram diversos questionamentos sobre a segurança dos imunizantes. Nada diferente do que enxurradas de mentiras que não teriam lugar em uma casa legislativa se não fosse ocupada por retrógrados.

Um dos principais alvos dos deputados antivacinas foi o passaporte de imunização exigido na capital catarinense para grandes eventos, acima de 500 pessoas, em que só podem acessar pessoas vacinadas. A reclamação confluiu com a pauta gasta há muito tempo de que medidas para evitar a propagação do vírus “matam mais” do que o próprio. Requentaram o chorume das redes sociais e foram, cheios de pompa, despejar o lixo na assembleia de Santa Catarina.

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O conceito fósmeo de liberdade virou um dos últimos redutos para negacionistas resmungarem sobre as vacinas contra Covid. Na mesma trincheira estão todos aqueles agentes políticos que atuaram para espalhar o vírus e provocar mais mortes e sequelas e que, até agora, não conseguem admitir a vitória da ciência sobre uma força da natureza, que é um vírus potente como o Sars-Cov-2.

O deputado Felipe Estevão (PSL), que tem se afundado cada vez mais em uma retórica sem nexo, diz que “o passaporte não é exigido em prol da saúde pública, nem pelo avanço da vacinação, mas para invadir a privacidade, segregar os não-vacinados e delimitar a liberdade individual”.

Sargento Lima (PL) queria se posicionar eleitoralmente e, sem ter muito o que dizer, conseguiu meter um “nazismo” no meio pra dar impacto às lorotas: “Estamos diante de uma afronta direta contra o artigo 5º da Constituição Federal, a obrigatoriedade nos faz ressuscitar uma prática nazista de criar uma subclasse, ou seja nazismo, é relegar ao esquecimento as vítimas de reações adversas. O passaporte é uma ideia de uma mente criminosa, ilegal, nazista e comunista”, discursou o parlamentar catarinense.

Outros deputados de vertentes mais antiéticas tomaram a palavra, visando encher os ouvidos de eleitores frágeis e perdidos nas fantasias políticas, com vistas para um engajamento em 2022, quando haverá nova eleição estadual. Os desabafos também poderiam ser em sessões reservadas de análise e cura.

Fizeram parte da audiência movimentos religiosos e políticos que se declaram conservadores. Até mesmo um promotor do Ministério Público de Santa Catarina foi à tribuna articular “pelo direito de escolher”. Os deputados negacionistas – muitos dos quais bradam que a CPI que provou os crimes da administração federal era um “circo” – propuseram, ao final do freak show comedido, leis negacionistas, para passar a narrativa de que pessoas estão sofrendo, ou até mesmo morrendo, por conta das vacinas contra Covid. Campagnolo, por exemplo, jura que a vigilância sanitária estadual atestou que um jovem morreu por conta da vacina em Blumenau, apesar de que a vigilância sanitária estadual não atesta óbito. Assim como os pares, ela ganha R$ 25,3 mil por mês através dos impostos.

Na terça-feira (30/11) Santa Catarina chegou à marca de 20 mil mortos pela Covid, e absolutamente zero pelas vacinas. O vírus e suas variantes agradecem o apoio da Alesc em nome dos parlamentares Felipe Estevão, Sargento Lima, Ana Campagnolo e Jessé Lopes.

Por Lucas Cervenka – reportagem@correiosc.com.br

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