Prefeitura de SJ explica por que não aceita mais amostras grátis de remédios

Sindicato dos representantes farmacêuticos reclama da proibição da prática em postos de saúde

A Prefeitura de São José suspendeu, durante a pandemia, a aceitação de doação de remédios para amostras grátis. Com o fim do estado de calamidade a prática não foi refeita, gerando reclamações dos representantes farmacêuticos, que distribuíam os medicamentos diretamente nos postos de saúde.

Segundo o Sindivesc, a premissa básica do propagandista farmacêutico tem como premissa a atualização dos médicos em relação aos produtos e serviços oferecidos pela indústria com a finalidade de proporcionar melhores tratamentos aos pacientes. Conforme o sindicato, a distribuição de amostras grátis, então, tem a função de avaliação do uso para cada patologia a ser tratada.

O sindicato, que representa os propagandistas e vendedores de produtos farmacêuticos, lembra que a decisão de receber as amostras grátis nos postos de saúde do município “sempre foi do próprio médico, inclusive as quantidades”. Com a proibição municipal em se fazer as visitas, o Sindivesc reclama que há um impacto sobre a categoria de representantes farmacêuticos, resultando também em fechamento de postos de trabalho.

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“A perda é da nossa categoria, mas também da classe médica, levando em consideração que a grande maioria dos médicos não consegue participar de todos os congressos e dependem do contato do representante farmacêutico para sua atualização de novos medicamentos”. O sindicato conclui que a decisão é “unilateral, sem o chamado de nossa categoria para debater sobre a melhor forma de manter esse trabalho, tão importante para a população do município”.

Posto de saúde do Centro Histórico de São José
Posto de saúde do Centro Histórico de São José – Lucas Cervenka/CSC

O que diz a prefeitura

Segundo a Secretaria de Saúde Municipal de São José, a decisão foi adotada por dois motivos: gestão de estoque e padronização terapêutica na rede municipal. Em nota a prefeitura detalha as razões da proibição aos representantes comerciais darem remédios para amostras grátis:
“Responsabilidade pela guarda das amostras grátis de medicamentos distribuídas pelos representantes de laboratórios é dos profissionais médicos por uma questão de legislação, dificultando o controle dos estoques e a distribuição. Desta forma os armários dos consultórios ficavam lotados de amostra grátis muitas vezes vencidas e mal armazenadas o que poderia acarretar danos aos pacientes que utilizassem esses medicamentos, e que além disso não são padronizados pela prefeitura”.

O município também afirma que disponibiliza um “arsenal” terapêutico seguindo diretrizes do SUS, e os profissionais devem utilizar essas opções terapêuticas. “A prescrição de medicamentos não padronizados, com o fornecimento de amostras grátis, acaba gerando novas demandas judiciais por parte dos pacientes e ônus ao município sendo que na maioria dos casos há disponibilidade de opção terapêutica padronizada no município. De certa forma educar os profissionais a utilizar os medicamentos padronizados a fim de não prejudicar os pacientes sem continuidade ao tratamento”.

Por Lucas Cervenka – reportagem@correiosc.com.br

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