No centro, Merisio sentado em uma cadeira, e de cada lado 6 jornalistas sendados, à frente de uma câmera
12 jornalistas interrogaram o pré-candidato ao governo do Estado, deputado estadual Gelson Merisio (PSD) - Foto: Luis Debiasi/Divulgação

A Sabatina Regional – foi a 16ª de 21 – com o deputado Gelson Merisio, realizada nesta quinta-feira na Grande Florianópolis, reuniu jornalistas de diversos veículos para um debate com o pré-candidato ao governo estadual. A Segurança Pública foi um dos temas predominantes, até pela participação de profissionais que trabalham diretamente com a área.

“Hoje temos mais policiais trabalhando no administrativo do que nas ruas”, afirmou o jornalista Hélio Costa. Merisio respondeu em seguida. “Se o Estado não consegue dar segurança dentro de uma Ilha, que só tem uma entrada e uma saída, com o comando da PM e dos poderes, vai garantir segurança fora como? Florianópolis precisa ser a cidade mais segura de SC para dar o recado”, disse o deputado, destacando sua proposta de trazer mais cinco mil policiais da reserva de volta para a ativa.

Ainda dentro do tema Segurança Pública, foi debatido o sistema prisional. “A política prisional que temos não deu certo. O modelo como está não serve. Precisamos construir uma nova forma de encarceramento, com gerenciamento de periculosidade. Presos tem que permanecer apenas os de crimes violentos e de grave ameaça.”, explicou sobre o fato de um jovem de 18 anos preso por um crime leve acabar sendo cooptado por facções do crime organizado dentro dos próprios presídios.

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Merisio defende que é preciso mostrar de onde virão os recursos para cada ação apresentada. “Prioridade de uma área tem que ter recurso se não vira só discurso”, diz. No caso da Segurança, definida como a sua prioridade, o deputado afirma que os recursos virão da extinção das regionais e de um corte de 1260 dos atuais 1460 comissionados.

O parlamentar também foi questionando sobre as sua posição em relação às regionais. Merisio defendeu que é preciso criar um novo modelo a partir da “revolução da gestão pública”, e a extinção das ADRs seria um desses exemplos. “Estado se tornou muito importante para ele mesmo. E isso precisa ser revertido. Ele tem que ser importante para a população, na entrega dos serviços públicos”, afirma.

Veja mais posicionamentos do pré-candidato na Sabatina Regional (abre aspas):

Alterações para Saúde

“Na Saúde, precisamos acabar com as cotas regionais. A solução é simples, mas difícil de ser feito. Mais recursos, atendimento perto da sua própria cidade e o rompimento de um modelo que traz todo ‘excedente’ de atendimentos de SC para sustentar o aparelho de Saúde montado em Florianópolis”

Falta de recursos

“A necessidade de caixa que nós temos é também uma grande oportunidade, porque há uma defasagem absurda na aplicação de tecnologia na gestão pública. Podemos fazer uma verdadeira revolução.”

Ruptura de modelo

“A geografia das urnas acabou. Vamos cortar 1260 dos 1460 cargos comissionados. Ficarão apenas 200. Não é só isso que irá resolver, mas esse é o início da solução. Porque muda o modelo”

Defesa do Fundam

“O Fundo de Apoio aos Municípios foi uma demonstração clara de que é possível repassar recursos diretos para as prefeituras para conseguir realizar obras mais baratas e mais rápido. Por isso, apresentei uma PEC que torna o Fundam uma política permanente do Estado”

Eleições

O grande equívoco do modelo eleitoral brasileiro é que reserva um tempo muito curto para o período eleitoral, são pouco mais de 45 dias no todo, tirando o registro fica pouco mais de 30 dias efetivos de campanha. Com 30 dias não se discute regras estruturantes, não se discute o estado, se discute questões meramente políticas eleitorais. Em outros países a fase mais intensa é essa em que estamos, no período pré-eleitoral, onde há abertura de diálogos, e que se permita a todos conhecerem o que pensam cada um dos que querem exercer a função. Essa proliferação de meios de comunicação, as redes sociais, elas dão ao eleitor mais distante, o mais humilde, a condição de ter a informação, e se ele tem a informação não há que se queixar depois que votou errado, porque vai ter opções, e a minha participação é nesse sentido. Eu pré-candidato, inicialmente dentro do meu partido, compreendendo quem pensa de forma diferente, depois dentro de uma aliança, que o modelo partidário brasileiro necessita se construir uma aliança eleitoral, e enfim o eleitor. Agora se não disponibilizarmos opções claras, transparentes, uma posição reta daquilo que estamos fazendo nós não vamos dar ao eleitor condição de escolha.

Abordagem

Nós moramos num Estado que tem 48 primeiros lugares em índices de qualidade de vida. Se olharmos 20 anos para trás e compararmos nossos indicadores com Paraná e Rio Grande do Sul, nós evoluímos em todos eles. Portanto, não há de olhar para trás e encontrar culpados, fazer críticas e procurar os problemas.

Santa Catarina teve duas fases distintas desses acontecimentos. A primeira em 1960 com Celso Ramos, que construiu as bases da economia, e em 1990 por uma imposição de caixa uma profunda reforma administrativa feita pelo Vilson Kleinübing, que basicamente trouxe o estado 30 anos para frente. O que temos agora é uma imposição de caixa e uma imposição tecnológica. Nós temos demandas crescentes na saúde em função da longevidade da população, demanda total em investimentos na segurança pública, urgente, que tem que ser feito de forma muito contundente e temos que controlar uma receita do estado que está no seu limite de carga tributária. Não há de se pensar em aumentar impostos. Se você precisa de mais recursos para várias áreas vitais é transformando processos onde a tecnologia pode substituir pessoas e aí não importa se a folha é 51, 52 ou 53, importa é o perfil da folha – 1.200 cargos comissionados que nós pretendemos extinguir pagam 2.500 policiais. Há 16 anos não tinha a rede social, videoconferência, processos administrativos que podem ser feitos agora. Olhar para trás nós vamos encontrar muito mais êxitos especialmente com Raimundo Colombo que foi fazendo uma transição, numa crise profunda mantendo os salários em dia, não aumentando impostos, construindo uma base de retomada que está se notando agora.

Qualquer governo que ingressar a partir do ano que vem terá que fazer reformas profundas. Porque que este modelo de regionais como é feito não mudou nos sete anos do governador Colombo, porque 2010 na construção da aliança estabeleceu diretrizes que ele cumpriu durante o exercício desta aliança, por isso eu defendo uma nova aliança sem o MDB, respeitando os aliados, mas com uma construção nova. A primeira conversa com os aliados dizendo que acabou a geografia das urnas, que o processo de indicação será diferenciado, que o modelo que está aí faliu e será alterado porque senão o estado vai perder completamente a sua função e sua missão que é servir o catarinense.

Cenário financeiro

Nós vivemos a maior crise financeira da história do país, isso impactou Santa Catarina, e decresceu 8% o PIB catarinense e mesmo assim o governo escolheu prioridades, fizemos transformações importantes em áreas que eram o centro nervoso de custos do governo, nós fizemos a reforma da previdência que o Brasil não conseguiu fazer e Santa Catarina fez, optamos ao invés de nos queixarmos das dificuldades  em motivarmos e fortalecer nossas virtudes, tanto que no ano passado o PIB brasileiro cresceu 1% e nós crescemos 4%. Entendo o estado com duas funções básicas, regulador de oportunidades, que haja competitividade entre as regiões, e sendo o protetor dos desamparados, temos ainda 290 mil pessoas na miséria em Santa Catarina.

Ponte Hercílio Luz

Se eu tivesse participado no início da decisão, com certeza, não investiria todo esse recurso para a recuperação da ponte. Agora, recurso público que fica atravancado é uma tragédia, e hoje (essa obra) já consumiu mais de R$ 200 milhões (na verdade R$395 milhões) e tem ser entregue para a sociedade. Deixar ela pela metade, atrasar, postergar é aumentar o problema, a decisão foi tomada, não importa quem fez, se foi certo ou errado, não cabe julgar isso agora, cabe concluir o que está sendo feito.

Rodovias

Santa Catarina tem seis mil quilômetros de rodovias. Investimento bem feito é auto sustentável porque gera competitividade. Temos que separar as rodovias de alto fluxo que têm capacidade de sustentabilidade econômica com projetos com a participação da sociedade e aqueles que teria que ter integração regional.

O estado tem que ser o gerenciador de oportunidades, a obra municipal, a obra regional faz um consórcio, por isso a associação dos municípios, ao estado não cabe execução de obras dentro do município, quem tem que fazer é a prefeitura. O Fundão foi uma demonstração clara de que é possível sem intermediação em repasse direto às prefeituras com execução mais barato e mais ágil, é uma diferença de visão. O governador Colombo fez o Fundão 1 e se esforçou muito para fazer o Fundão 2, e o governo que aí está agora entende de forma diferente.

gelson merisio gesticula com um microfone na mão

Alianças preferenciais

Não se trata de preferência, é de construção. Desde o início do processo eu disse que não queria e não quero o MDB junto. Não é desrespeito. Reconheço e respeito o tamanho e a força do MDB. No entanto, eles têm posições absolutamente opostas aquilo que eu acredito para o futuro, no tipo da questão administrativa e do modelo administrativo.

Ser vice

Se eu for candidato a governador eu terei que ter um vice, o cargo de vice-governador é um cargo que tem que ser respeitado. Se eu quero ter um vice e rechaçar qualquer possibilidade de construção estou sendo arrogante e prepotente com os demais pretendentes. Desde o princípio eu tenho clareza naquilo que é melhor para o estado. Digo que a minha experiência legislativa, agora é legitimo e natural que mesmo dentro do meu partido pessoas pensem diferente. Quando disse que o Amin tem uma candidatura absolutamente natural, não estou dizendo que eu pretendo ser vice deste ou daquele. É respeito à pretensão dos outros como na minha, a construção feita é um caminho muito claro a se seguir e em agosto teremos uma candidatura confirmada. Espero com uma ampla aliança e que sejamos exitosos não apenas na eleição mas também no governo

Essa tese de ser vice não existe, Nunca falei que quero ser vice. Se eu disser que isso é rechaçado, estou sendo arrogante. O Amin não pode ser meu vice? Claro que pode, talvez não seja provável, mas se eu rechaçaria qualquer possibilidade nessa ordem eu sou arrogante. Quero construir de forma sólida, transparente e que seja algo que as pessoas saibam que o que vai ser dito será feito.

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