Florianópolis está mapeando as estruturas de drenagem urbana e de esgotamento sanitário para identificar problemas nas redes. O trabalho também busca antecipar riscos de alagamentos, obstruções e outras falhas. A iniciativa reúne a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e a Sanapp, empresa especializada em gestão de ativos de saneamento.
O levantamento inclui o cadastro georreferenciado de bocas de lobo, poços de visita e outras estruturas. Também são feitas videoinspeções das tubulações. A tecnologia permite identificar rachaduras, obstruções e outros problemas nas redes. Além disso, aponta com precisão a localização, o tamanho e o material das tubulações. As informações ajudam a direcionar os serviços de manutenção e a planejar novas intervenções.
Mapeamento localiza obstrução no Itacorubi
No Itacorubi, o trabalho já ajudou a resolver um problema que aparecia sempre que chovia forte. A entrada do Centro de Valorização de Resíduos (CVR) alagava por causa de uma obstrução na rede de microdrenagem. O ponto exato, porém, era desconhecido porque o problema estava sob o asfalto.
Depois de mapear a rede, a equipe encontrou a obstrução e fez o reparo no local correto, sem precisar abrir diferentes pontos do pavimento à procura da falha.
“O conhecimento exato do ponto obstruído permitiu a execução precisa do serviço de manutenção, sem quebra excessiva de asfalto e sem a necessidade de busca pelo local do reparo. Usamos ferramentas e equipamentos tecnológicos para chegar em pontos mais difíceis, onde monitorar com um técnico, olho humano, seria mais caro, danoso à estrutura e demorado”, afirma o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Luís Felipe Kronbauer.

O trabalho faz parte das medidas da Prefeitura para enfrentar os efeitos do El Niño. Com as redes mapeadas e inspecionadas, a Secretaria passa a ter um diagnóstico prévio das condições do sistema. Assim, consegue identificar pontos vulneráveis e reduzir o tempo de resposta durante episódios de chuva intensa.
“A Sanapp dá à Prefeitura uma leitura precisa do que existe embaixo do asfalto. Saber onde está cada boca de lobo, cada poço de visita e em que condição se encontra a rede, permite que a Secretaria atue antes do problema aparecer na superfície, e não apenas depois do alagamento. Aliado às outras medidas que já estão encaminhadas, especialmente com a limpeza hidrográfica feita todos os dias, essa nova tecnologia nos ajuda muito nesse período”, destaca o subsecretário de Saneamento Básico, Bruno Vieira Luiz.
Robô percorre tubulações e identifica ligações irregulares
Além do mapeamento, Florianópolis já utiliza outra tecnologia para fiscalizar a rede subterrânea. O robô Bizu percorre as tubulações e transmite imagens em tempo real. Com isso, as equipes conseguem localizar ligações irregulares de esgoto nas galerias pluviais e identificar a origem do problema.
Equipado com quatro rodas, luzes e câmera de alta resolução, o robô funciona por controle remoto, com auxílio de óculos de realidade virtual. Ele utiliza as próprias tubulações como percurso e consegue avançar até 70 metros pela rede, inclusive em locais de difícil acesso.
O equipamento também reduz o tempo necessário para diagnosticar problemas e os custos das correções na estrutura sanitária da cidade.
“Antes de uma cidade ser inteligente, ela precisa ter dados. Ainda são poucas as cidades brasileiras que conhecem, de forma estruturada e georreferenciada, suas redes de saneamento. Queremos ajudar Florianópolis a ser referência nesse caminho, transformando dados em diagnósticos e análises preditivas que apoiem decisões mais precisas e ações preventivas, contribuindo diretamente para a qualidade de vida da população”, afirma Igor Puff Floriano, CEO da Sanapp.
O desenvolvimento da Sanapp contou com editais de incentivo à inovação, entre eles o Programa de Incentivo à Inovação de Florianópolis. A startup também participou do Living Lab 5G, iniciativa que permite a empresas de tecnologia testar e validar soluções inovadoras em um ambiente urbano real.
Sensores podem monitorar a drenagem
A parceria poderá avançar para uma nova etapa. Entre as possibilidades em estudo está a integração da plataforma Sanapp com sensores de monitoramento hidrológico para acompanhar, em tempo real, o comportamento da rede de drenagem.
A tecnologia poderia identificar variações nos níveis de água e outros indicadores críticos. Dessa forma, os órgãos municipais teriam mais informações para antecipar situações de risco relacionadas a alagamentos e transbordamentos em pontos estratégicos da cidade.
A implantação dos sensores, no entanto, ainda está em estudo. Caso a proposta avance, os dados poderão ajudar os órgãos municipais na tomada de decisões durante chuvas intensas e outros eventos climáticos extremos.











