No câncer de mama, confirmar cedo salva tempo

Quando uma mulher recebe o resultado de uma mamografia com alterações, começa a aguardar os próximos encaminhamentos. Esse intervalo entre a suspeita e a confirmação do diagnóstico é uma das etapas que exigem maior atenção no enfrentamento do câncer de mama. O rastreamento avançou, mas muitos municípios ainda não contam com mastologistas credenciados ou dispõem de poucos profissionais. Com isso, a paciente pode enfrentar uma longa espera por consultas com especialistas e exames necessários para definir o tratamento.

Em pleno Outubro Rosa, a atenção se concentra na realização dos exames, mas o que acontece depois também é fundamental. Os hospitais filantrópicos respondem por 69% das internações oncológicas em Santa Catarina, segundo o relatório anual da Associação de Hospitais do Estado de Santa Catarina (AHESC) e da Federação de Hospitais e Entidades Filantrópicas de Santa Catarina (FHESC). Por atuarem diretamente no atendimento às pacientes, essas instituições conhecem os pontos em que podem agilizar o fluxo.

Há caminhos para reduzir essa espera. Um exemplo vem de Jaraguá do Sul, onde o Hospital São José estruturou, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, um Ambulatório de Suspeita Oncológica. O serviço recebe diretamente mulheres cujas mamografias exigem investigação especializada, conforme os protocolos médicos. Dessa forma, a equipe consegue acelerar a confirmação ou o descarte do diagnóstico e reservar as primeiras consultas da oncologia para pacientes que já têm a doença confirmada. Organizar o atendimento desde a suspeita evita que o diagnóstico fique na mesma fila de quem já precisa iniciar o tratamento.

Publicidade

No entanto, iniciativas como essa enfrentam dificuldades de financiamento. Os valores que o Sistema Único de Saúde (SUS) repassa não cobrem integralmente os custos de medicamentos, exames e cirurgias oncológicas. Essa realidade dificulta a formação de equipes, a aquisição de equipamentos e a ampliação da capacidade de atendimento. Portanto, discutir o acesso ao tratamento também significa discutir o financiamento do SUS.

O desafio dos gestores públicos e da rede de atenção à saúde é planejar e executar ações efetivas para reduzir o tempo entre a suspeita, a confirmação do diagnóstico e o início do tratamento. Ao mesmo tempo, fica o alerta às mulheres: diante de qualquer alteração nas mamas, é fundamental procurar atendimento médico o quanto antes.

*Por Maurício José Souto-Maior, presidente da Associação de Hospitais do Estado de Santa Catarina (AHESC)

Publicidade
COMPARTILHAR