Diretora de escola do Campeche é assassinada por ex-namorado a facadas

O assassino tem 39 anos e com diversas passagens policiais

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A diretora Elenir de Siqueira Fontão - Arquivo Pessoal/Divulgação/CSC

Elenir de Siqueira Fontão, 49 anos, foi assassinada no final da tarde dessa quarta-feira (19/2) por ser mulher. Ela era funcionária da rede estadual há 14 anos e há um ano era diretora da Escola Estadual de Educação Básica Januária Teixeira da Rocha, no Campeche, Florianópolis.

Na escola, na Rua da Capela, seu ex-namorado a procurou após o término do expediente para discutir a recente separação. O homem – cujo nome ou imagem não podem ser divulgados devido à recente Lei de Abuso de Autoridade – tem 39 anos. Segundo a Polícia Militar de Santa Catarina, ele tem diversas passagens policiais: furtos, ameaça, roubo, dano, invasão de propriedade e furto de energia. Antes do crime de homicídio qualificado, já era um bandido.

Talvez Elenir tivesse percebido o perigo. Ele a procurou no ambiente de trabalho dela, criminoso que é, para “tirar satisfações”. Ouviu algo que não queria, provavelmente alguma sentença verdadeira emitida pela professora. De acordo com os agentes de segurança que atenderam a ocorrência, o bandido pegou uma faca de serra da própria escola para o crime, uma dessas simples, utilizadas para cortar pão e passar manteiga para o lanche das crianças, e levou a mulher para o banheiro.

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Lá, ainda infeliz, contrariado e cada vez mais bandido, transformou sua incapacidade de diálogo em dois golpes no pescoço de Elenir. No seu currículo de fracassado, colocou o feminicídio como ato mais recente. A mulher, mãe de dois, ainda conseguiu reagir. Entraram em luta corporal. Ele ainda teve algum ferimento e tentou fugir. Foi contido por pessoas do entorno que ouviram os gritos até a chegada da polícia. Nesse momento (22h53 de quarta), o bandido está no Hospital Celso Ramos, no Centro de Florianópolis. A mulher chegou a ser socorrida e levada pelo Helicóptero Arcanjo ao hospital, mas faleceu devido à grande perda de sangue.

O assassinato é tratado pela Polícia Civil como feminicídio justamente porque a vítima foi morta por ser mulher. É o quinto caso nesse ano em Santa Catarina e o primeiro na capital. Em 2019, a Polícia Militar atendeu 10 feminicídios no mesmo período.

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A escola estadual de educação básica Januária Teixeira da Rocha, no Campeche – PMSC/Divulgação/CSC
Repercussão

Centenas de comentários nas redes sociais tratam da tristeza que é um crime hediondo como esse. Diante da dor, alguns tratam da necessidade de pena de morte, olho por olho. A maioria, indignada, lamenta.

A mesma repulsa se instalou em um caso parecido, há 9 meses, quando um homem matou a facadas Aline Rodrigues Camargo Pereira à plena luz do dia na Av. Beira-mar de São José. Na época, a imprensa ainda podia divulgar o nome do assassino, hoje é “abuso”.

A indignação tem resultado, gera educação e consciência, mas ainda há os que não entendem as lutas femininas contra assédio, violência, desrespeito, estupro, homicídio qualificado. A falta de compreensão, compaixão e apoio ao fim da violência contra as mulheres continua a vitimá-las.

Na página pessoal de Elenir no Facebook é possível perceber que se tratava de uma pessoa muito querida e estimada, tanto no circulo familiar e de amizades, como na comunidade do Campeche.

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