O inverno de 2026 começa oficialmente neste domingo (21/06) no Hemisfério Sul. Em Santa Catarina, a estação inicia com a chegada de uma massa de ar polar. Por isso, as temperaturas entram em queda já nos primeiros dias. Além disso, o frio deve atuar ao longo da próxima semana.
Segundo meteorologistas da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil (SDC/SC), o início da estação será marcado por temperaturas mais baixas. Ao mesmo tempo, a atuação do El Niño tende a evitar que o frio se prolongue por longos períodos.
Pico do frio e possibilidade de fenômenos invernais
A intensificação do frio ocorre entre segunda-feira (22) e terça-feira (23). Nesse período, uma massa de ar polar avança sobre o estado e provoca queda mais acentuada nas temperaturas.
De acordo com a Defesa Civil, a combinação entre umidade e ar frio pode gerar precipitação invernal em áreas isoladas do Planalto Sul.
Além disso, os meteorologistas projetam uma onda de frio na primeira semana da estação. Com isso, as mínimas podem ficar negativas no Oeste e nos Planaltos catarinenses.
“A onda de frio ocorre quando há persistência de temperaturas mínimas abaixo do padrão climatológico esperado para uma região, geralmente por um período mínimo de cinco dias consecutivos”, explica Caio Guerra, meteorologista da Defesa Civil.
Entre sexta-feira (19) e sábado (20), uma frente fria já atua sobre o estado. Por isso, o tempo segue instável e as temperaturas permanecem baixas mesmo durante o dia.
Assim, no domingo (21), primeiro dia do inverno, a manhã deve ser gelada, enquanto a tarde tende a ser mais amena.
No Alto Vale do Itajaí e na Grande Florianópolis serrana, as mínimas podem chegar perto de 0°C. Já no litoral, os termômetros podem marcar valores abaixo dos 5°C.
Precipitação invernal
A precipitação invernal reúne diferentes fenômenos associados ao frio intenso, como neve, chuva congelada e chuva congelante.
A chuva congelada ocorre quando as gotas de chuva congelam ainda dentro da nuvem, em razão das baixas temperaturas, e chegam à superfície no estado sólido.
A chuva congelante acontece quando a gota permanece líquida mesmo em temperaturas abaixo de zero e, ao atingir superfícies frias como chão, árvores, fios e janelas, congela instantaneamente, formando uma camada de gelo transparente.
A neve se forma quando a gotícula de nuvem encontra um núcleo de condensação específico e se transforma em floco antes de chegar ao solo.
O sincelo ocorre quando a água da chuva ou o orvalho da noite congela sobre plantas e superfícies com a queda da temperatura. Diferente da geada, pode se formar mesmo com vento.
A geada acontece quando o orvalho da noite condensa e congela sobre a superfície em condições de frio intenso e ausência de vento.
A geada negra ocorre quando, mesmo sem chuva e com muito vento, o frio extremo congela a seiva das plantas.
Registros recentes e influência do El Niño
A última semana do outono já antecipou o padrão típico do inverno. Na quinta-feira (18), Bom Jardim da Serra registrou -7,3°C, a menor temperatura do estado até o momento.
Da mesma forma, em Urupema, a mínima chegou a -2,82°C. Além disso, em Urubici, os termômetros marcaram -3,83°C.
Segundo a central de monitoramento da SDC/SC, esses registros reforçam a atuação do frio intenso nas regiões de altitude.
O inverno costuma ser a estação mais fria e seca em Santa Catarina. No entanto, neste ano, o El Niño altera parte desse comportamento.
De acordo com a Defesa Civil, as chuvas devem ser mais frequentes. Por outro lado, os episódios de frio intenso tendem a ser mais curtos e menos persistentes.
O meteorologista Caio Guerra explica que, embora as massas de ar frio continuem atuando, a tendência é de menor duração desses eventos.
Com mais nebulosidade, as noites tendem a ser menos frias. Em contrapartida, as tardes podem registrar temperaturas mais baixas, mesmo sem sol forte.
A maior frequência de chuva deve ocorrer a partir de meados de julho. Entretanto, os técnicos destacam que isso não indica aumento significativo no risco de desastres.
Os efeitos mais fortes do El Niño devem ocorrer na primavera, especialmente entre outubro e novembro.










