Justiça autoriza recuperação judicial da Jotur

Empresa de transporte coletivo de Palhoça tem R$ 41 milhões em dívidas

ônibus da jotur estacionados em pátio - empresa de transporte coletivo tem pedido de recuperação judicial aceito
Segundo a empresa, dívidas passam de R$ 41 milhões – Jotur/Divulgação/CSC

A Vara Regional de Recuperação Judicial e Falências do Foro Central de Florianópolis autorizou, na segunda-feira (30/8), o pedido de recuperação judicial da Jotur Auto Ônibus e Turismo Palhocense. Afetada diretamente pelos efeitos da pandemia no setor, a tradicional companhia de transporte coletivo de passageiros de Palhoça possui dívidas de R$ 41 milhões sujeitas ao plano de reestruturação, num total de 930 credores.

Fundada em 1962, a Jotur é atualmente a segunda maior empresa do transporte coletivo da Grande Florianópolis. Contando com 310 colaboradores, atende 60 linhas em toda a região da Palhoça, São José, Biguaçu e capital, com um fluxo diário de 22 mil passageiros. “Hoje, operamos com apenas 80 dos 125 carros disponíveis. Antes da pandemia, atendíamos 52 mil passageiros por dia — agora, é menos da metade”, comenta José Luiz da Silva Spricigo, sócio e filho do fundador da empresa, Germano Spricigo.

“Já havíamos iniciado, há dois anos, um processo de reestruturação interna. Mas, com os efeitos da Covid-19 e a queda brusca de usuários, tivemos que nos socorrer da recuperação judicial para a preservação dos empregos e a manutenção da qualidade dos serviços”, ressalta José Luiz.

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Segundo o executivo da Jotur não haverá novas demissões e, com a retomada gradativa do volume de usuários, Luiz garante que será priorizada a contratação de ex-empregados dispensados em 2020 para as funções. Com a reestruturação e o estancamento das dívidas, a companhia projeta ainda investir na renovação da frota e em tecnologia, para reduzir custos.

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Crise no setor

A crise na Jotur é parte de um cenário crítico que vem sendo enfrentado por todo o setor de transporte coletivo de passageiros. “O que já estava difícil, com o crescimento de novas tecnologias, como os serviços de aplicativos, ficou ainda mais difícil com a pandemia. É um quadro nacional”, afirma Guilherme Caprara, advogado que assessora a companhia no processo.

“Somente na Grande Florianópolis, quatro das cinco empresas do consórcio de ônibus da capital estão em recuperação judicial, além de outras duas do transporte intermunicipal. Com isso, a reestruturação passa a ser uma alternativa para a preservação da atividade empresarial, dos empregos e da renda dos trabalhadores, para a superação do estado de crise”, acrescenta o advogado Arthur Silveira, que também representa a empresa.

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