Governo de SC vai à Justiça para suspender cotas da pesca da tainha

    Ação Civil Pública argumenta que restrição imposta pela União é inconstitucional, viola o pacto federativo e ameaça a subsistência de quase 8 mil pescadores catarinenses, além de ferir o patrimônio cultural imaterial catarinense

    Pescadores realizam arrasto de rede na praia durante a pesca artesanal da tainha no litoral de Santa Catarina, em atividade relacionada às cotas da pesca da tainha, que impactam comunidades tradicionais da região.
    Foto: Thiago Kaue/SecomGOVSC/Divulgação

    A Procuradoria-Geral do Estado de Santa Catarina (PGE/SC) entrou com uma Ação Civil Pública nesta segunda-feira (15/06) contra a União. A medida busca suspender as cotas da pesca artesanal da tainha no estado.

    Além disso, a ação pede a anulação da Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51/2026. O documento limita a modalidade de arrasto de praia, uma prática tradicional no litoral catarinense.

    De acordo com a PGE, a regra causa prejuízos diretos aos pescadores e interfere na atividade econômica local.

    Governo estadual aponta discriminação

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    A Secretaria Executiva da Aquicultura e Pesca de Santa Catarina (SAQ) afirma que a norma trata Santa Catarina de forma desigual. Segundo o órgão, apenas o estado enfrenta restrições específicas, enquanto outras regiões do Sul e Sudeste não seguem limites semelhantes.

    “Mais um ano tivemos a cota sendo aplicada somente para os nossos pescadores de arrasto de praia aqui em Santa Catarina”, afirmou o secretário da pasta, Fabiano Müller Silva.

    Além disso, ele destacou o impacto no início da safra. “Os pescadores ficaram impedidos de pescar logo no começo da temporada quando atingiram a cota”, disse.

    Pesca da tainha tem peso cultural e econômico

    A pesca da tainha reúne cerca de 8 mil trabalhadores, segundo dados dos ministérios da Pesca e do Meio Ambiente. Portanto, a atividade sustenta famílias em diversas comunidades do litoral catarinense.

    Em 2025, a Fundação Catarinense de Cultura reconheceu a pesca de arrasto de praia como patrimônio cultural imaterial. Assim, a prática ganhou ainda mais relevância histórica e social.

    Prejuízo e perda cultural

    O procurador-geral do Estado, Marcelo Mendes, afirma que a política federal ignora as diferenças regionais. Além disso, ele critica o impacto das restrições.

    “Na prática, esse limite impõe restrições desproporcionais a uma atividade de baixo impacto ambiental”, disse Mendes. “Ela também representa um patrimônio cultural de Santa Catarina.”

    Ele reforçou ainda o papel da ação judicial. “A atuação da PGE é essencial para proteger a economia, o emprego e a identidade cultural do estado”, afirmou.

    Cotas foram atingidas em menos de 40 dias

    As cotas da pesca da tainha começaram a valer em 2025, com limite de 1.100 toneladas. Já em 2026, a Portaria Interministerial MPA/MMA nº 51/2026 elevou o teto para 1.332 toneladas.

    Este limite foi atingido em apenas 38 dias, o que provocou o encerramento abrupto da temporada de pesca no dia 7 de junho e frustrou a participação dos trabalhadores justamente no período em que há a maior passagem de cardumes pela costa do estado. No dia 11 de junho de 2026, uma nova portaria (61/2026) alterou novamente o limite, elevando a cota para 1.762 toneladas.

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