A Secretaria Municipal de Saúde de São José alerta para o aumento da procura por atendimento em saúde mental relacionado ao uso prejudicial de jogos de aposta, principalmente em plataformas virtuais. Atualmente, 16 pacientes participam de um grupo terapêutico específico no município, enquanto outras oito pessoas aguardam atendimento.
O transtorno do jogo ocorre quando a pessoa encontra dificuldade ou não consegue controlar o impulso de apostar. Dessa forma, o comportamento pode continuar mesmo diante de prejuízos financeiros, emocionais, sociais e funcionais.
Em São José, o Centro de Atenção Psicossocial (Caps II) mantém um grupo terapêutico voltado às pessoas afetadas pelo problema. Segundo a Secretaria de Saúde, o número de pacientes atendidos e a fila de espera demonstram o crescimento da demanda por acompanhamento especializado.
Diante desse cenário, a secretária adjunta da Saúde, Fabricia Martins, destaca que o acolhimento precoce pode evitar o agravamento dos impactos provocados pelas apostas.
“Precisamos olhar para o transtorno do jogo como uma questão de saúde pública. Muitas vezes, a pessoa começa a apostar de forma recreativa e, quando percebe, já está enfrentando perdas financeiras, conflitos familiares, sofrimento emocional e dificuldade para interromper o comportamento. Buscar ajuda o quanto antes pode fazer toda a diferença”, afirma.
Impactos das apostas na saúde mental
Além da dificuldade de controlar as apostas, as equipes de saúde também identificaram uma relação entre a compulsão e casos de violência autoprovocada. Essa associação aparece durante a investigação de situações que envolvem tentativas ou casos de suicídio.
Nesse contexto, um levantamento do Ambulatório do Jogo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), citado pelo Ministério da Saúde, reforça o alerta. Segundo os dados, 15% dos pacientes atendidos já tentaram suicídio em decorrência das apostas. Já 80% relataram ter pensado nessa possibilidade.
Além dos impactos na saúde mental, o problema também provoca consequências econômicas. Um estudo divulgado em dezembro de 2025 pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS), Umane e Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental estimou os custos relacionados às apostas online.
Segundo o levantamento, os custos associados a mortes por suicídio relacionadas às apostas online são estimados em R$ 17 bilhões por ano. Esse valor está incluído em um prejuízo total estimado em R$ 38,8 bilhões anuais.
Milhões de brasileiros apresentam risco relacionado às apostas
No país, os números também chamam a atenção. Dados do LENAD III, realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), apontam que 10,9 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais apresentam comportamento de risco ou problemático relacionado às apostas. Desse total, cerca de 1,4 milhão já atende aos critérios clínicos para transtorno do jogo.
Diante do avanço do problema, os ministérios da Saúde e da Fazenda criaram, em dezembro de 2025, o Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas. Com isso, a iniciativa busca acompanhar os impactos das apostas sobre a saúde da população.
Onde buscar ajuda em São José
Em São José, o Caps II integra a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e oferece acolhimento, avaliação e encaminhamento. Por isso, a Secretaria de Saúde orienta que pessoas que percebam perda de controle sobre as apostas procurem atendimento.
Da mesma forma, familiares que identifiquem mudanças de comportamento relacionadas ao jogo podem buscar orientação na rede municipal. Assim, o atendimento pode começar antes que os impactos financeiros, familiares e emocionais se agravem.
“Não é preciso esperar a situação chegar ao limite para pedir ajuda. O sofrimento causado pelas apostas pode ser tratado, e a rede municipal está preparada para acolher essas pessoas e orientar as famílias”, reforça Fabricia Martins.











