Porto de São Francisco conclui engordamento de 8,8 km da Praia de Itapoá

    Obra ampliou 8,8 quilômetros da orla com sedimentos retirados da Baía da Babitonga e prevê recuperação da vegetação de restinga.

    Vista aérea da Praia de Itapoá mostra a faixa de areia ampliada em obra realizada pelo Porto de São Francisco do Sul.
    Foto: Gustavo Rotta/PSFS/Divulgação

    A Praia de Itapoá, no Litoral Norte de Santa Catarina, ganhou 8,8 quilômetros de faixa de areia com a conclusão da obra de engordamento da orla. Segundo o Porto de São Francisco do Sul, responsável pelo projeto, esta é a maior intervenção do tipo já realizada no Brasil em extensão.

    A obra faz parte da dragagem de aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga. Durante os trabalhos, a draga Galileo Galilei retirou cerca de 7 milhões de metros cúbicos de sedimentos do fundo da baía. Em vez de descartar o material, o projeto aproveitou os sedimentos para ampliar a faixa de areia de Itapoá.

    Os trabalhos começaram em outubro do ano passado, na Praia Pontal do Norte. Depois, seguiram pela Praia Princesa do Mar e chegaram à Praia Figueira do Pontal, onde ocorreu a última etapa. De acordo com o Porto, foi a primeira vez no Brasil e a segunda no mundo que sedimentos de uma dragagem portuária foram usados no alargamento de uma praia.

    Projeto inclui recuperação da restinga

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    O trabalho na orla não termina com o engordamento da praia. O projeto também prevê a recuperação da vegetação nativa de restinga. Até agora, as equipes plantaram 210 mil mudas de seis espécies em 31 áreas. A previsão é chegar a 300 mil.

    Outra etapa envolve a formação de um sistema contínuo de dunas. Elas terão entre 1 metro e 1,5 metro de altura e cerca de 26 metros de largura. Além disso, o projeto inclui cercamentos ecológicos, passarelas elevadas e sinalização ambiental. Essas estruturas ajudam na fixação da restinga e na estabilidade da nova faixa de areia.

    “Socialmente, aumenta a segurança costeira, preserva o acesso público às praias e fortalece a resiliência da comunidade frente aos riscos climáticos. E economicamente, fortalece o turismo, protege ativos costeiros e demonstra como investimentos portuários podem gerar valor além dos limites operacionais”, comenta o presidente do Porto de São Francisco do Sul, Cleverton Vieira.

    Vieira também aponta a relação entre a atividade portuária e o desenvolvimento das cidades da região.

    “Ao alinhar melhorias na infraestrutura de navegação a objetivos de restauração ambiental, a obra cria um novo modelo de cooperação porto-cidade, no qual o desenvolvimento econômico e a proteção dos ecossistemas avançam de forma conjunta”.

    Dragagem tem investimento de R$ 333 milhões

    A dragagem de aprofundamento do canal da Baía da Babitonga tem investimento previsto de R$ 333 milhões. O Porto de São Francisco do Sul participa com R$ 33 milhões, enquanto o terminal privado de Itapoá financia os outros R$ 300 milhões.

    A parceria também é inédita, segundo os responsáveis pelo projeto. Pela primeira vez no Brasil, um porto público firmou contrato com um porto privado para executar uma obra dessa natureza.

    O terminal de Itapoá receberá de volta o investimento de forma parcelada até 2037. O ressarcimento virá do adicional de tarifas portuárias gerado pelo aumento no número de navios e no volume de cargas movimentadas após o aprofundamento do canal.

    A obra ainda deve eliminar a necessidade de fundeio intermediário para os navios que operam no Porto de São Francisco do Sul. Hoje, essa etapa faz parte da operação de algumas embarcações. Com o aprofundamento, a estimativa é economizar cerca de R$ 20 milhões por ano para os navios que utilizam o porto.

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