Por Ana Ritti

As árvores pinus que fazem parte da paisagem da região começam a ser retiradas em uma parte do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, maior unidade de conservação do estado. A retirada da espécie invasora é realizada com ajuda de voluntários e junto à iniciativa privada na execução e planejamento. Os trabalhos ocorrem na Baixada do Maciambú, em Palhoça, desde a última terça-feira (13/10).

Com 87 mil hectares, o Parque da Serra do Tabuleiro representa 1% do território catarinense e se estende nos municípios de Florianópolis, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz, Águas Mornas, São Bonifácio, São Martinho, Imaruí e Paulo Lopes. Dessa área, o coordenador do parque, Carlos Cassini, estima que mais de 10 mil hectares precisam de manejo de pinus. Há registro da espécie a mais de mil metros de altitude e também no nível do mar, comenta.

Plano de manejo
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Para administrar o problema, o parque conta com três planos: um de manejo, que estabelece regras de uso da área e manejo dos recursos naturais. Outro busca conter os frequentes incêndios florestais na região. “A cada dois, três anos tem grandes incêndios e descobrimos que o pinus é um amplificador do fogo”, explica Cassini. E o último plano é o de restauração da Baixada, elaborado por pesquisadores voluntários pensando na questão ecológica e educacional.

A área de trabalho, na Baixada do Maciambú, tem cerca de 14 hectares e a previsão é de que o manejo dure duas semanas. A erradicação, porém, deve levar anos. O plano de retirada dos pinus e plantio de espécies nativas é uma ação combinada com duas empresas privadas, sediadas em São José: Cottonbaby e C-Pack. A segunda iniciou um investimento significativo em ações no parque, destinando a verba à questão dos pinus. Já a Cottonbaby faz o plantio das mudas nativas. Voluntários e funcionários do parque junto com a ONG Çarakura fazem a retirada das espécies menores e motosserristas contratados pelas empresas fazem o corte das espécies maiores, que são desgalhadas e os troncos permanecem no local até apodrecerem. No ano que vem, eles pretendem realizar o mesmo trabalho em outra área.

área vegetação uniforme baixa com pinus em volta
Estimativa é que mais de 10 mil hectares do maior parque catarinense estejam infestados pela espécie indesejável – Instituto Çarakura/Divulgação/CSC
Trabalho de uma vida

A inserção das espécies exóticas no habitat é diretamente associada à ação humana. Uma vez inseridos, os pinus são invasores que se proliferam com facilidade, porque as sementes são leves, carregadas pelo ar e conseguem se estabelecer em áreas abertas e com entrada de luz. Por fazer sombra e consumir muita água, a espécie acaba dominando o ambiente, deixando a mata nativa sem boas condições de desenvolvimento. E, pior, tem a palha altamente comburente.

No parque, Cassini comenta que ocorreu o plantio dos pinus durante as décadas de 1960 e 70, e as árvores se espalharam rapidamente. Ainda assim, é possível que a proliferação venha de fora. “É um problema que vamos ter pelo resto da vida. Combatendo, monitoramento e fazendo repasses a cada cinco, seis anos em uma área para tentar impedir que aquele pinus comece o período reprodutivo”, afirma.

O parque já havia realizado no passado uma campanha de retirada e monitoramento de outras espécies exóticas em suas 11 ilhas e há cerca de dois anos outra empresa privada financiou a retirada de pinus e plantio de mudas nativas em uma área de 300 hectares, próximo ao centro de visitantes.

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