O Parque Estadual da Serra do Tabuleiro é a maior unidade de conservação de proteção integral de Santa Catarina. Além disso, ele abriga um dos cenários evolutivos mais singulares do mundo: as Ilhas Moleques do Sul. Nesse local, vive o preá-de-moleques-do-sul (Cavia intermedia), espécie exclusiva da região.
Esse pequeno mamífero descende da Cavia magna. Ele detém o título de espécie com a menor distribuição geográfica do planeta. Ao mesmo tempo, ele sobrevive em um ecossistema extremamente frágil. Pesquisadores consideram a situação crítica. A população não passa de 50 indivíduos.
No Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), responsável pela gestão do parque, a bióloga Luthiana Carbonell dos Santos acompanha os esforços de conservação. Segundo ela, a raridade da espécie vem acompanhada de alta vulnerabilidade biológica.
“O preá-de-moleques-do-sul é uma espécie ameaçada de extinção e tem uma distribuição muito restrita. Ao longo da evolução, os indivíduos vêm cruzando entre si. Isso reduz a variabilidade genética e diminui a resiliência frente a impactos externos que possam chegar à ilha”, afirma.
Por essa razão, o arquipélago recebeu a classificação de Zona Intangível do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro. Por isso, o IMA proíbe o desembarque no local devido à fragilidade do ecossistema.
“A ilha é um extremo biológico. É admirável como um mamífero conseguiu evoluir e persistir por tanto tempo em um espaço tão pequeno, com recursos tão escassos”, ressalta Luthiana.

Esforço coletivo
A conservação da espécie depende de ação conjunta. O IMA coordena o plano estadual de conservação do preá. Além disso, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade inclui a espécie como prioridade nacional no Plano Nacional para a Conservação dos Pequenos Mamíferos Florestais.
Trata-se de um desafio constante, sobretudo pela proximidade da área com o continente. Portanto, a divulgação científica se torna essencial.
“Levar o conhecimento à população é fundamental para que todos compreendam por que não se pode desembarcar na ilha. Assim, esse ecossistema pode ser admirado e preservado”, conclui Luthiana.
O IMA proíbe o desembarque no local sem autorização prévia. Além disso, a Marinha do Brasil, a Polícia Militar Ambiental e o próprio IMA fiscalizam a ilha. Caso ocorra desembarque irregular no Arquipélago Moleques do Sul, a população deve acionar a Polícia Militar Ambiental pelo telefone (48) 3365-4906.
Pingo-de-ouro
O potencial científico do parque vai além do preá-de-moleques-do-sul. A unidade de conservação funciona como um laboratório natural. Além disso, o isolamento geográfico e a diversidade de habitats seguem revelando novas espécies.
Um exemplo recente é a descrição do Brachycephalus tabuleiro, conhecido como pingo-de-ouro-do-tabuleiro. A comunidade científica batizou o anfíbio em homenagem à unidade de conservação.
Para o biólogo Daniel de Araújo Costa, coordenador do parque pelo IMA, essas descobertas reforçam a relevância científica da área.
“Não existem apenas espécies exclusivas, mas também espécies com distribuição extremamente restrita. A descoberta desse novo anfíbio reforça que a unidade é um espaço de constante revelação científica. Isso indica que ainda há muito a ser descoberto dentro do parque”, pontua.

Papel estratégico do parque
Além da biodiversidade, o Parque Estadual da Serra do Tabuleiro exerce papel essencial para Santa Catarina. Ele ocupa 84.130 hectares e também garante o abastecimento hídrico de mais de um milhão de pessoas na Grande Florianópolis e no Litoral Sul.
As bacias dos rios Cubatão, D’Una e Vale do Braço sustentam o fornecimento de água potável para a população.
A Unesco reconhece o parque como Zona Núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. Além disso, o IMA administra a unidade com apoio da Polícia Militar Ambiental, da Marinha do Brasil, da Universidade Federal de Santa Catarina, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e do Instituto Tabuleiro.
Serviço
- Centro de Visitantes do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro: O Parque Estadual da Serra do Tabuleiro é administrado pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) e mantém uma estrutura voltada à educação ambiental e ao monitoramento da biodiversidade.
- Localização: Centro de Visitantes do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, Maciambu. O acesso é feito pela BR-101, no km 238.
- Funcionamento: de quarta a domingo, das 9h às 17h.
- Atividades: o centro oferece suporte aos visitantes por meio de palestras e acesso ao Eco Museu, com foco na conscientização sobre a importância dos recursos hídricos e da fauna protegida pela unidade de conservação.












