As tempestades de granizo representam um risco para a produção agrícola em Santa Catarina, principalmente nas regiões produtoras de frutas, uvas e cebola. Para reduzir os prejuízos nas lavouras, o Sistema Antigranizo está em expansão no estado. Em 2026, o número de municípios contemplados passou de 13 para 27, um crescimento de 107,7% em relação ao ano anterior.
Atualmente, a tecnologia funciona em 17 municípios, enquanto outros dez estão em fase de implantação. Os convênios autorizados somam R$ 17,6 milhões e contemplam 228 geradores. Além disso, outras dez cidades já manifestaram interesse em aderir à iniciativa, que busca reduzir o tamanho das pedras de granizo antes que atinjam as plantações.
Os equipamentos estão concentrados principalmente nas regiões de Ituporanga, Videira, Fraiburgo e São Joaquim, onde as tempestades de granizo preocupam os produtores rurais.
Sistema Antigranizo já funciona em 17 municípios
O sistema está em operação em 17 cidades catarinenses. São elas: Caçador, Calmon, Fraiburgo, Lebon Régis, Macieira, Matos Costa, Pinheiro Preto, Rio das Antas, Tangará, Timbó Grande, Videira, Arroio Trinta, Ibiam, Aurora, Chapadão do Lageado, Imbuia e Iomerê.
Outros dez municípios estão em fase de implantação: São Joaquim, Ituporanga, Petrolândia, Vidal Ramos, Bom Jardim da Serra, Atalanta, Joaçaba, Lacerdópolis, Presidente Castello Branco e Urubici.
“O aumento da procura pelo Sistema Antigranizo mostra que a tecnologia tem apresentado resultados nas regiões onde já está implantada. Com a ampliação da cobertura, mais áreas produtoras poderão contar com esse sistema de prevenção, ajudando a reduzir os danos das tempestades à produção agrícola e aos municípios catarinenses”, afirma o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort.
Como funciona o Sistema Antigranizo
O sistema utiliza informações dos radares meteorológicos para identificar nuvens com condições favoráveis à formação de granizo. Geradores instalados no solo queimam iodeto de prata e liberam o composto na atmosfera.
O objetivo é favorecer a formação de pedras de gelo menores. Segundo os responsáveis pela operação, elas podem se desintegrar durante a queda ou chegar ao solo com tamanho reduzido. Cada gerador possui uma área de cobertura com raio aproximado de cinco quilômetros.
“O processo trabalha na nuvem para diminuir ou impedir o granizo. Ao invés de termos pedras grandes, formam-se muitas pequenas, que na queda podem se dissolver ou chegar ao solo com tamanho reduzido”, explica o meteorologista João Luís Rolim, diretor da AGF Antigranizo Fraiburgo, empresa que opera o sistema.
Apesar da proposta de reduzir os danos às lavouras, a eficácia desse tipo de tecnologia na diminuição do granizo ainda apresenta incertezas científicas. Portanto, sua utilização não garante que as plantações fiquem livres dos prejuízos causados pelas tempestades.
Em Santa Catarina, a tecnologia começou a ser utilizada para proteger os pomares de maçã. A iniciativa surgiu a partir da mobilização dos próprios produtores. Posteriormente, chegou às lavouras de tomate em Caçador e se expandiu para outras regiões e culturas agrícolas.
Proteção busca reduzir perdas nas lavouras
Além de causar danos às plantações, o granizo pode comprometer a qualidade das frutas e reduzir seu valor comercial. Por isso, a proteção dos pomares também tem importância para a comercialização dos produtos.
“O Sistema Antigranizo é muito importante. Quem tem essa tecnologia no pomar reconhece a importância dela para uma boa colheita. É um ganho para Santa Catarina, principalmente pelo custo-benefício. O sistema ajuda a proteger a produção, evitando que as frutas sejam machucadas e percam qualidade. Isso permite que uma fruta melhor chegue aos boxistas e ao consumidor, contribuindo também para uma melhor remuneração do produtor ao revendedor”, afirma o gerente comercial de uma empresa de frutas e boxista da Ceasa-SC, Ricardo Camilo.
Com a ampliação, mais regiões agrícolas de Santa Catarina poderão contar com o Sistema Antigranizo. A tecnologia busca diminuir os prejuízos nas lavouras, embora não elimine os riscos provocados pelas tempestades.











