Cultura afro-brasileira inspira alunos na criação de livro autoral em Florianópolis

Iniciativa da rede municipal de ensino promove reflexões sobre identidade, diversidade e ancestralidade

Alunos participando do Projeto Cultura afro-brasileira
Foto: Divulgação/PMF

As turmas do 5º ano da Escola Básica Municipal Beatriz de Souza Brito, no bairro Pantanal, em Florianópolis, participam do projeto Cultura Afro-Brasileira: cores da nossa história. A iniciativa utiliza a literatura para ampliar o conhecimento sobre as heranças africanas presentes na formação do Brasil e, ao mesmo tempo, incentivar os estudantes a criarem suas próprias histórias.

Durante as atividades, as crianças conhecem tradições, saberes e princípios de raízes africanas que foram adaptados e recriados no país. Para isso, as ações ocorrem tanto nas salas de aula quanto na biblioteca. A partir do contato com diferentes obras literárias, os estudantes ampliam o repertório e encontram referências para desenvolver textos e ilustrações autorais.

O trabalho envolve duas turmas do 5º ano do período integral, com 25 crianças em cada sala. Atualmente, a iniciativa está na etapa de sensibilização e construção de repertório. O percurso começou com o planejamento, a seleção das histórias e a apresentação da proposta. Em seguida, os estudantes passaram a conhecer diferentes obras e iniciaram as primeiras escritas autorais.

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Entre os livros estudados estão Meu avô africano, de Carmen Lucia Campos; Menina bonita do laço de fita, de Ana Maria Machado; Karingana wa Karingana: histórias que me contaram em Moçambique, de Rogério Andrade Barbosa; Minha mãe é negra sim!, de Patricia Santana; e Chico Rei, de Renato Lima.

Segundo a bibliotecária Fernanda Cláudia Lückmann da Silva, as obras apresentam diferentes personagens e tradições. Dessa forma, os livros ampliam as possibilidades de reflexão, criação e conhecimento entre as crianças.

Histórias que também fazem parte da vida dos estudantes

Além do contato com as obras, o projeto permite que os estudantes relacionem os conteúdos com suas próprias histórias familiares. Foi o que aconteceu com Isadora Lima Machado, da turma 51, que se identificou com os conteúdos sobre comunidades quilombolas.

“Eu me identifiquei especialmente quando falamos ou ouvimos sobre os quilombolas, que fazem parte da minha história e considero a minha segunda casa. Fiquei muito feliz, porque estou me sentindo conectada aos meus ancestrais”, contou.
O estudante Eliezer Jonas Fundanga Calipi também encontrou uma relação entre as atividades e suas origens familiares. De origem angolana, ele decidiu levar para sua produção elementos da cultura presente em sua casa.

Entre os assuntos que pretende abordar está a culinária de Angola. A ideia inclui referências como o funge, preparado à base de farinha de mandioca ou milho; o suco de múcua, feito a partir do fruto do embondeiro; e o kissangua, bebida tradicional angolana produzida pela fermentação de cereais, como o milho.

A proposta, portanto, busca estimular a autonomia dos estudantes e mostrar que suas próprias vivências também podem se transformar em histórias, textos e ilustrações.

A mediação das atividades reúne os professores João Victor da Silva Souza, regente da turma 51; Ana Maria Bleichvel Costa, regente da turma 52; Maré Rabelo Santos, professora de Língua Portuguesa; Graziela da Silva Varella Batista, articuladora do período integral; Fernanda Cláudia Lückmann da Silva, bibliotecária; Rita Margaret Casales da Silva, professora e auxiliar de biblioteca; Maria Aparecida de Aguiar Demaria, supervisora; e Camila Porciuncula Santos, diretora da escola.

Do texto ao livro

Depois da escrita, as turmas ainda passarão pelas etapas de criação das ilustrações, digitalização, correção e revisão dos textos. Na sequência, o material desenvolvido será encaminhado para a Estante Mágica, plataforma digital que permite transformar projetos de leitura e escrita em livros digitais e impressos.

O cronograma prevê a conclusão das criações e o envio dos arquivos para a plataforma até o fim de setembro. Em outubro, a escola deverá receber os exemplares. Já em novembro, a equipe pretende finalizar os preparativos para o lançamento.

O evento está previsto para 27 de novembro, em alusão ao mês da Consciência Negra. A programação deve reunir os estudantes autores, profissionais da escola, familiares e amigos para apresentar o resultado do trabalho.

Com a iniciativa, as turmas transformam o contato com a literatura afro-brasileira em uma experiência de pesquisa, escrita e criação. Ao mesmo tempo, o projeto abre espaço para que histórias familiares, referências culturais e identidades também façam parte dos livros produzidos pelas crianças.

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