Altas de aluguéis em Florianópolis e São José são as maiores do país

    Valores de aluguéis na região quebram recorde de encarecimento

    Os aluguéis residenciais em Florianópolis e São José tem subido entre 7 e 10 vezes o valor de inflação. Prova disso é a “valorização” acima do normal registrada pelo índice Fipezap: nos 12 meses completados em março de 2023 os preços de aluguéis tiveram uma alta acumulada de 33,36% na capital.

    Em média cobra-se de aluguel R$ 41,5 por metro quadrado por mês em Florianópolis, enquanto a média do levantamento em 53 cidades é de R$ 37,7. Já na vizinha São José o preço médio residencial cai para R$ 34,1. Porém, nessa cidade, o encarecimento tem sido ainda pior para os moradores, chegando a quase 10 vezes mais que a inflação, com alta de 40,8% acumulada em um ano até março.

    De acordo com o levantamento da Fipe sobre dados de anúncios da plataforma Zap, a única cidade que teve um encarecimento em patamar semelhante a Florianópolis e São José nesse período foi Goiânia, em 31,3%.

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    Na visão de imobiliárias da Grande Florianópolis o encarecimento dos aluguéis muito acima dos índices correspondentes de correção financeira e da inflação do período (4,65%) se justifica para compensar ganhos menores durante a pandemia e por uma oferta menor de imóveis no mercado.

    Em tese esse cenário joga os preços para cima naturalmente, porém a alta de 7 a 10 vezes o índice de inflação deveria ser motivo de acionamento de freios jurídicos contra a exploração da clientela, que se vê obrigada a pagar mais pelos mesmo imóveis (sem qualquer tipo de valorização física concreta), ou mudar-se para outra unidade menor ou mais distante do local desejado.

    Na ponta isso significa que os consumidores recebem, de uma hora para outra, uma cobrança adicional que pode ser configurada abusiva, mas sem qualquer respaldo de órgãos de proteção ao consumidor, que preferem se ater aos preços de supermercado e não de habitação.

    Outro fator que também pode contribuir para o encarecimento exagerado dos aluguéis na Grande Florianópolis é que nos últimos anos não houve qualquer programa habitacional para ofertar imóveis mais baratos e acessíveis às classes econômicas C e D. Com isso, os preços de venda também ajudam a aumentar o encarecimento. Há escassas iniciativas públicas nesse sentido atualmente: a Prefeitura de Florianópolis planeja dois condomínios populares para aluguel e a de São José recentemente anunciou a retomada de uma obra de condomínio popular parada há 15 anos.

    Já em Joinville, conforme o Fipezap, o encarecimento médio de aluguéis entre março de 22 e 23 foi menos violento: alta de 10,58%, apenas duas vezes a inflação oficial, resultado muito diferente da Grande Florianópolis – apesar de o setor imobiliário da cidade do norte de SC também alegar falta de unidades para aluguéis.

    Por Lucas Cervenka – reportagem@correiosc.com.br

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