André Guesser: “a Câmara deveria discutir a cidade”

Correio inicia série de entrevistas com partidos em São José sobre a disputa eleitoral no próximo ano

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Guesser é vereador pelo PDT em São José e presidente do partido - Foto: Divulgação/CSC

A pouco mais de um ano das próximas eleições municiais, os partidos políticos começam a montar o baralho de cartas para a disputa. Nas próximas edições, o Correio de Santa Catarina faz uma série de entrevistas com as siglas em São José, mostrando qual o pré-cenário, a conjuntura e as peças políticas que deverão estar presentes em 2020. As convenções partidárias para a escolha dos candidatos ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto do ano que vem. Em 26 de agosto começa a campanha. As eleições do primeiro turno ocorrem em 4 de outubro e para as cidades que tiverem segundo turno em 30 de outubro.

Nessa edição entrevistamos o vereador em São José pelo PDT, André Guesser, que recentemente assumiu provisoriamente o partido no município.

O PDT de São José teve nesta quarta-feira (3/7) uma mudança de comando: o empresário Fernando Anselmo (que disputou o último pleito à prefeitura e ficou em terceiro) passou o comando para o vereador André Guesser, que cumpre o primeiro mandato. O vereador vê o PDT em São José como uma alternativa independente, que terá candidato a prefeito e que na Câmara falta uma discussão maior sobre a cidade.

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Correio – Como o sr. vê o momento do PDT em São José e qual a perspectiva para as eleições municipais do ano que vem?
André Guesser – O PDT está se reorganizando. Eu hoje estou me tornando presidente do PDT, de uma comissão provisória, para que a gente consiga fazer uma convenção. Nesse sentido já fizemos uns dois ou três meses para trás reuniões periódicas com pessoas que estão querendo se filiar no PDT, conhecer um pouco da história do PDT, mas também por conta do trabalho que temos feito de fiscalização aqui na Câmara. Para nós é muito bom porque fortalece o partido e eles acabam reconhecendo o trabalho que estamos fazendo, que é andar muito nas comunidades e pensar num projeto. Tem algumas outras lideranças de outros partidos também que nos procuram, que têm vontade de vir para o PDT pensando num projeto para 2020.

Correio: Essa busca pelo PDT é também por uma questão do posicionamento nacional do partido?
Guesser: Eu acho que é isso também. O PDT, na eleição de 2018, fez 15 mil votos em São José, o Ciro Gomes foi o segundo mais votado (1º turno para presidente da República) e na eleição de 2016 também fizemos 15 mil votos para o Fernando Anselmo para prefeito. Então continuamos na mesma levada, uma votação interessante. Segundo ponto é que as pessoas querem um projeto que seja diferente da atual gestão do executivo. Se olharem aqui para a Câmara eu acho que eles identificam o PDT como esse projeto, porque não tem outro partido hoje que venha trabalhando independentemente do poder executivo, tem apenas alguns vereadores. O terceiro aspecto é que muitas pessoas que querem se candidatar a vereador, acho que olham no André como uma fonte de inspiração, porque se eu cheguei, qualquer um pode chegar. Afirmo isso categoricamente. Isso também é um reflexo de atrair as pessoas para o PDT.

Correio – No ano que vem não tem mais coligação na proporcional, isso pode dificultar?
Guesser: Acho que é uma das melhores coisas que fizeram, porque vai enfraquecer aqueles partidos chamados partidos de aluguel. O partido que quer eleger vai ter que ter uma proporcional só dele, pode ter até 29 candidatos, e daí vai ter que fazer um trabalho forte, formiguinha, de base, como nós fazemos. Agora acho que o jogo vai mudar um pouco, vamos ter muita renovação em torno de 50% na Câmara de Vereadores. Mas também vai ter uma debandada dos partidos maiores, já que têm figuras carimbadas que se elegem com boas votações e quem quer ser candidato vai procurar outros partidos menores.

Correio – Se o PDT vai ter candidatura a prefeitura, quais as possibilidades de coligação?
Guesser: Acho que até o ano que vem muitas coisas vão acontecer em relação aos partidos e ao poder executivo. Podem aparecer alguns partidos que estejam hoje no executivo e daqui a pouco declinam e poderão apoiar outro projeto. É obvio que a nossa ideia na majoritária é ter pelo menos 4 ou 5 partidos, e automaticamente a gente vai ter 60 ou 70 candidatos a vereador. Nenhum candidato a prefeito se elege sozinho, tem que ter os candidatos a vereador, que vão na sua região defender o projeto.

Correio – O que vai diferenciar e quais as principais ideias do PDT para São José?
Guesser: Primeiro tem que conversar com as pessoas na rua. O que a gente tinha como plano de governo de 2016, com certeza vai utilizar muitas coisas para 2020. Só que o cenário é diferente. Queremos ver se até o final do ano a gente consiga reunir em torno de 900 pessoas para a partir daí elaborar um plano de governo participativo. O Fernando, em 2016, batia numa tecla muito interessante, que eram os gastos com cargos de comissão, isso com certeza vamos defender de novo.

Correio – O que te faz gostar ou desgostar da atual administração?
Guesser: Eu acho que o diálogo com o poder legislativo. Isso também é culpa do poder legislativo, que não se impõe, porque nós temos uma base esmagadora, mas o diálogo com o poder legislativo não é bacana. Quando chega um projeto aqui vem sempre a toque de caixa. Tem alguns problemas estruturais que é o que mais escutamos, na parte de infraestrutura. A questão da mobilidade o governo tem que buscar outros mecanismos junto ao governo do estado. Eu poderia citar várias coisas pelas quais temos brigado aqui na Câmara.

Correio – O que poderia ser melhor na Câmara?
Guesser: Deveria ter uma independência maior do poder executivo. Temos que modificar ainda um pouco o modus operandi de como os projetos vão ao plenário. Não existe nada no regimento que diz que tem que ter um cronograma. Estou falando em trazer a discussão do projeto, então fica na comissão e tu não discute. A mesa diretora atualmente tem feito um trabalho de ampliar a questão da transparência, isso é muito importante e louvável, porque as pessoas enxergam mais a Câmara. Temos é que começar a pensar um pouco mais em cidade, porque qual a discussão que se faz de cidade na Câmara? São poucas. Não tem um negócio mais global, uma frente de vereadores batalhando por aquilo. Quando começamos a pensar um pouco mais na questão de projeto cidade e largar um pouco a vaidade, conseguiremos fazer muitas coisas. Por exemplo, nós da comissão de saúde. O sindicato nos procurou preocupado com os focos de dengue em São José e em reunião com o executivo decidimos fazer uma reunião pública e que é importante fazer uma campanha de conscientização da população, porque estamos correndo risco muito sério. Isso é pensar a cidade.

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