Defesa Civil de SC passa a tratar El Niño como muito forte e alerta para chuva acima da média

Com o fenômeno já em intensidade muito forte, Santa Catarina deve ter maior frequência de temporais, especialmente entre outubro e novembro.

Meteorologistas da Defesa Civil de Santa Catarina monitoram dados sobre o El Niño e as condições do tempo no estado.
Foto: Thiago Kaue/Secom GOVSC/Divulgação

O El Niño atingiu intensidade muito forte e aumenta a preocupação com chuva acima da média e temporais em Santa Catarina nos próximos meses. Diante desse cenário, a Defesa Civil estadual e a Epagri/Ciram adotaram a nova classificação nesta terça-feira (29), durante o 246º Fórum Climático Catarinense.

A mudança ocorre após o avanço do aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Na última semana, a anomalia da temperatura da superfície do mar chegou a 2,2 °C na região usada como referência para monitorar o fenômeno. Com isso, o valor superou o patamar de 2 °C considerado pelos órgãos catarinenses para a categoria de intensidade muito forte.

Segundo a meteorologista da Defesa Civil de Santa Catarina, Nicolle Reis, os dados mais recentes sustentam tecnicamente a nova classificação. Nesse caso, o avanço da temperatura das águas foi determinante para a mudança.

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“Para essa categoria, as anomalias da temperatura da superfície do mar precisam atingir ou superar o patamar de 2 °C. Na última semana, esse valor chegou a 2,2 °C, o que já permite considerar o fenômeno como de intensidade muito forte”, afirma.

A avaliação leva em conta as condições recentes do Oceano Pacífico e as projeções para os próximos meses. Já a classificação oficial da NOAA, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos, considera o comportamento das anomalias durante períodos determinados.

Imagem: Previsão das anomalias de temperatura da superfície do mar (°C) no Oceano Pacífico Equatorial para os meses de outubro, novembro e dezembro, segundo o modelo ACCESS-S2.

Na atualização de setembro, a NOAA apontou que o El Niño continua em fortalecimento. Além disso, indicou probabilidade superior a 90% de o fenômeno alcançar intensidade muito forte durante a primavera e o verão de 2026/2027 no Hemisfério Sul.

El Niño aumenta risco de temporais 

A intensificação do El Niño ocorre justamente no início da primavera, estação em que seus efeitos costumam ficar mais evidentes em Santa Catarina. Historicamente, o fenômeno favorece volumes maiores de chuva no Sul do Brasil. Por isso, a combinação dos dois fatores aumenta a atenção para os próximos meses.

A primavera começou em 22 de setembro e segue até 21 de dezembro. Nesse período, o aumento gradual das temperaturas cria condições favoráveis para temporais com vendavais, raios e granizo. Além disso, a própria estação costuma registrar aumento na ocorrência de chuva no estado.

Com um El Niño muito forte, esse padrão tende a ganhar intensidade. Entre outubro e dezembro, os meteorologistas projetam maior frequência de sistemas capazes de provocar chuva intensa e tempestades em Santa Catarina.

Os efeitos desse cenário já aparecem em diferentes regiões catarinenses. Nas últimas semanas, temporais provocaram episódios de granizo em várias áreas do estado.

Outubro e novembro podem ter chuva acima da média

A previsão aponta volumes de chuva acima da média em todas as regiões de Santa Catarina, principalmente durante outubro e novembro. Dessa forma, aumenta também a possibilidade de ocorrências relacionadas ao excesso de precipitação.

No entanto, não é apenas a quantidade de chuva que preocupa. Com a maior frequência dos sistemas meteorológicos, também cresce o risco de ocorrências associadas às tempestades.

Entre os principais impactos, estão destelhamentos, quedas de árvores e danos provocados por granizo e vendavais. Ao mesmo tempo, a chuva persistente ou intensa aumenta a possibilidade de alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos.

A combinação entre El Niño muito forte, chuva acima da média e uma estação naturalmente favorável aos temporais aumenta o risco de eventos meteorológicos severos. Nesse cenário, Santa Catarina deve enfrentar um período de maior instabilidade entre outubro e dezembro.

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