A Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina (SDC/SC) acompanha de forma contínua a evolução do fenômeno El Niño, confirmado nesta quinta-feira (11/06) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). O fenômeno costuma aumentar o volume de chuvas no Sul do Brasil e, consequentemente, elevar os riscos de desastres naturais.
Segundo a NOAA, há 63% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte nos próximos meses. Caso a projeção se confirme, o episódio poderá figurar entre os mais intensos registrados desde 1950.
No entanto, a Defesa Civil destaca que ainda é cedo para definir os impactos específicos em Santa Catarina. Isso ocorre porque a atmosfera sobre a região ainda não apresenta sinais claros de resposta ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico.
Os meteorologistas da SDC/SC explicam que o El Niño costuma favorecer o aumento das chuvas no estado. Dessa forma, cresce o risco de ocorrências como inundações, enxurradas e deslizamentos.
“A nossa Defesa Civil tem ampliado o monitoramento pra dar pra sociedade as respostas mais precisas. Ainda não temos certeza absoluta de como o fenômeno vai impactar desta vez Santa Catarina. Mas é dever do poder público se preparar para o pior, trabalhando sempre para que o melhor aconteça”, afirmou o governador Jorginho Mello.
Segundo a Defesa Civil, a intensidade dos impactos não depende apenas do aquecimento do oceano. Além disso, fatores atmosféricos e características de cada região influenciam diretamente os efeitos observados durante os eventos de chuva. Por isso, o órgão ampliou o monitoramento e reforçou ações de prevenção em todo o estado.
Como o El Niño é identificado
O El Niño resulta da interação entre o oceano e a atmosfera. Quando as águas do Pacífico Equatorial registram temperaturas acima da média, elas alteram o comportamento dos ventos e provocam efeitos em diversas regiões do planeta.
No Brasil, os impactos mais conhecidos incluem a redução das chuvas em parte da Região Norte e o aumento da frequência e do volume das precipitações na Região Sul.
Para confirmar o fenômeno, especialistas monitoram diferentes áreas do Pacífico Equatorial. Além da temperatura do mar, eles avaliam a resposta da atmosfera e a persistência dessas condições ao longo dos meses. Dessa maneira, conseguem identificar o desenvolvimento do fenômeno com maior antecedência e ampliar o tempo disponível para ações preventivas.
Primavera concentra maior risco de impactos
Historicamente, os principais reflexos do El Niño em Santa Catarina ocorrem durante a primavera, entre setembro e novembro. Nesse período, a própria climatologia já favorece episódios de chuva intensa. Por isso, o fenômeno pode potencializar ainda mais os acumulados de precipitação.
No último episódio de El Niño, os efeitos mais severos começaram a aparecer no segundo semestre de 2023. As chuvas atingiram diversas regiões catarinenses e, posteriormente, eventos extremos também afetaram o Rio Grande do Sul até o outono de 2024.
Neste ano, as previsões indicam que o fenômeno deve ganhar força nos próximos meses. Além disso, os modelos apontam que o pico deve ocorrer entre a primavera e o verão. A previsão também indica que o El Niño poderá permanecer ativo até o outono de 2027, o que exige vigilância contínua dos órgãos responsáveis.
Medidas de prevenção
Diante da possibilidade de um El Niño muito forte, o Governo de Santa Catarina ampliou as ações de preparação para enfrentar possíveis eventos climáticos extremos.
Em 18 de maio, o governador assinou o Decreto nº 1.530, que estabelece estado de alerta climático em todo o território catarinense. Com isso, o governo pode posicionar equipes de forma antecipada em áreas vulneráveis, contratar equipamentos preventivamente e agilizar medidas de assistência humanitária quando necessário.
Comitê de Gestão de Crises se reúne na próxima semana
Além disso, na próxima segunda-feira (15/06), a Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil realizará uma reunião presencial do Comitê de Gestão de Crises.
Durante o encontro, representantes de diferentes órgãos discutirão estratégias de monitoramento, logística, resposta e assistência humanitária com base nas previsões mais recentes sobre o fenômeno.
Operação Primavera mobiliza os 295 municípios
Paralelamente, a Operação Primavera 2026 reforça as ações preventivas em todo o estado. A iniciativa envolve os 295 municípios catarinenses em atividades como limpeza de córregos, manutenção de sistemas de drenagem, vistorias em áreas de risco, simulados de evacuação, desassoreamento de rios e atualização dos planos de contingência.
Além disso, o Estado entregou veículos 4×4, drones, computadores, tablets e televisores. Dessa forma, fortalece a capacidade de resposta das equipes municipais diante de situações de emergência.
Ao mesmo tempo, o governo avançou nas obras de desassoreamento e manteve os trabalhos de manutenção e reforma das barragens de contenção de Taió, Ituporanga e José Boiteux, no Vale do Itajaí.
As estruturas desempenham papel fundamental na proteção do Alto, Médio e Baixo Vale, regiões historicamente vulneráveis a inundações.
Além disso, Santa Catarina mantém uma rede de 172 estações hidrometeorológicas com atualização de dados a cada 15 segundos. O estado também opera quatro radares meteorológicos e mantém equipes de monitoramento em atuação permanente. Com isso, a Defesa Civil acompanha a evolução do fenômeno em tempo real e orienta as ações de preparação.
Defesa Civil orienta população a acompanhar alertas
A Defesa Civil reforça que a população deve acompanhar os avisos meteorológicos emitidos pelos canais oficiais. A população pode receber os alertas por SMS, WhatsApp e pelo sistema Defesa Civil Alerta.
Para receber mensagens por SMS, basta enviar o CEP para o número 40199. Já pelo WhatsApp, o cadastro pode ser feito pelo número (61) 2034-4611.
Além disso, a Defesa Civil recomenda que cada família elabore um Plano Emergencial Familiar. Dessa maneira, os moradores podem agir com mais rapidez e segurança em situações de risco.
Diante de avisos meteorológicos a população deve seguir as recomendações das autoridades locais. Em caso de áreas alagadas, a recomendação é não atravessar os locais, seja a pé ou de veículo. Já diante de sinais de deslizamentos, como rachaduras no solo, muros estufados ou árvores inclinadas, os moradores devem acionar imediatamente a Defesa Civil pelo telefone 199.








