Produtora catarinense conquista Prêmio Mulheres do Agro 2026

9ª edição do prêmio reconheceu produtoras rurais e pesquisadora por iniciativas de inovação, sustentabilidade e desenvolvimento no agronegócio.

Vencedoras da 9ª edição do Prêmio Mulheres do Agro durante cerimônia de premiação
Vencedoras da 9ª edição do Prêmio Mulheres do Agro durante cerimônia de premiação. Foto: Júlio Ogata/Divulgação

A produtora rural Kátia Helena Fenner Rodrigues, de São Joaquim, na Serra catarinense, conquistou o primeiro lugar na categoria Média Propriedade do Prêmio Mulheres do Agro 2026. O anúncio ocorreu na quarta-feira (26), durante cerimônia realizada em São Paulo. Promovida pela Bayer e pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), a premiação chegou à 9ª edição com 394 inscrições, recorde desde a criação da iniciativa, em 2018.

A avaliação considera critérios ambientais, sociais e de governança. Entre eles estão o uso racional dos recursos naturais, a eficiência produtiva, a saúde do solo e o desenvolvimento das comunidades. Desde 2018, o prêmio já reconheceu 85 mulheres por iniciativas ligadas à inovação, sustentabilidade, gestão e pesquisa no agronegócio.

Tradição e sustentabilidade

Kátia administra a Fazenda Varginha, em São Joaquim, e dá continuidade a um legado familiar centenário. Na propriedade, trabalha com o cultivo de frutas com Indicação Geográfica e com o extrativismo sustentável do pinhão, contribuindo para a preservação da floresta de araucárias nativas.

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Na pecuária, a produtora implantou protocolos de bem-estar animal e melhoramento genético. Além disso, criou o projeto Mulheres Araucarianas, que deu origem à proposta do Selo Rosa, voltado à capacitação e ao fortalecimento das trabalhadoras rurais catarinenses. Kátia também participa de redes de apoio relacionadas à saúde da mulher na região.

Vencedoras

Na categoria Pequena Propriedade, Ana Karina Klinke, de Holambra (SP), ficou em primeiro lugar. À frente da Estância Futurama, ela transformou a fazenda familiar em referência em seleção e melhoramento genético, com foco na interação entre o animal e o ambiente. Para isso, adotou práticas de agricultura regenerativa, compostagem e conservação de nascentes.

Ana também eliminou a dependência de defensivos químicos sintéticos, como carrapaticidas, ao introduzir soluções biológicas, inoculantes e probióticos. Além disso, oferece consultoria e suporte técnico gratuito a pequenos parceiros locais e participa de conselhos municipais que incentivam projetos de arborização.

Na Grande Propriedade, Aline Baldim Vick, de Pirassununga (SP), conquistou o primeiro lugar. Economista e gestora da Fazenda Estância, ela retornou ao negócio familiar após atuar no mercado financeiro e implantou um modelo produtivo regenerativo em larga escala.

Entre as práticas adotadas estão a rotação de culturas de cobertura e a prescrição direcionada por talhão. Segundo a organização, a estratégia garantiu colheitas até 25% superiores à média regional e uma pegada de carbono no cultivo de grãos abaixo da média nacional. A propriedade também mantém áreas que abrigam espécies ameaçadas de extinção, como o cedro-rosa e o macaco sauá.

Ciência e Pesquisa

Na categoria Ciência e Pesquisa, a vencedora foi a bióloga Erika Valente de Medeiros, de Pernambuco. Doutora em Agronomia e professora titular da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE), ela lidera pesquisas em microbiologia e bioquímica do solo.

Os estudos envolvem biochar, desertificação, bioeconomia e agricultura sustentável no semiárido brasileiro. Erika possui mais de 200 artigos científicos publicados e sete patentes registradas. Ela também coordena o desenvolvimento de bioinsumos e projetos de recuperação de áreas degradadas.

A categoria contou ainda com votação popular. Neste ano, foram registrados mais de 40 mil votos.

Reconhecimento às mulheres do agro

Para Caroline Assalve, líder de Gestão Executiva da divisão agrícola da Bayer, o reconhecimento das mulheres e de sua atuação no campo faz parte do compromisso da empresa.

“Reconhecer as mulheres e o impacto excepcional que geram no campo é um compromisso contínuo da Bayer. Conhecer a fundo suas trajetórias durante o evento, que foi desenhado para ampliar essa troca de experiências, trouxe uma proximidade ainda mais inspiradora. Em um ano simbólico em que celebramos 130 anos da Bayer no Brasil, ver o engajamento desta edição reafirma que dar visibilidade às mulheres do agro é acelerar o futuro e fortalecer o próprio setor”, afirma Caroline.

A importância desse reconhecimento também aparece em uma pesquisa realizada em 2025 pelo Instituto Quiddity em parceria com a Bayer. Segundo o estudo “Produtoras rurais e a inovação no campo”, 78% das produtoras afirmam que ampliar a visibilidade de sua atuação é determinante para o crescimento da participação feminina na cadeia produtiva.

Protagonismo além da porteira 

Para Gislaine Balbinot, diretora executiva da ABAG, o impacto das mulheres reconhecidas pelo prêmio ultrapassa as propriedades rurais.

“A ABAG tem orgulho de construir essa trajetória junto com a Bayer. Trata-se de uma iniciativa que cria uma verdadeira rede de inspiração. Há dez anos, lideramos um estudo pioneiro sobre a presença feminina no agro brasileiro, contribuindo para ampliar o olhar sobre o papel das mulheres no setor. De lá para cá, o agro mudou, evoluiu, assim como a participação e a atuação das mulheres em toda a cadeia. As histórias desta edição mostram essa transformação na prática e reforçam a importância de reconhecer e valorizar cada vez mais esse protagonismo. A eficiência produtiva, aliada à sustentabilidade e à responsabilidade social, é parte fundamental desse avanço”, destaca.

Caroline também comentou as experiências apresentadas pelas participantes durante a edição.

“As histórias e as boas práticas que conhecemos na 9ª edição são sinônimo de resiliência, coragem e capacidade de inovação. Elas evidenciam que a atuação feminina está na vanguarda do desenvolvimento agrícola e científico. Reconhecer esse legado em movimento é o que nos inspira a continuar incentivando e trilhando esse caminho”, conclui Caroline.

Lista das premiadas

Pequena Propriedade

1º lugar: Ana Karina Klinke (SP)
2º lugar: Roseilda Lima Duarte (SP)
3º lugar: Rosiana de Oliveira Pederiva Reis Almeida (MG)

Média Propriedade

1º lugar: Kátia Helena Fenner Rodrigues (SC)
2º lugar: Suzana Muterle Viccini (BA)
3º lugar: Sheilane Maria Rodrigues Magalhães (CE)

Grande Propriedade

º lugar: Aline Baldim Vick (SP)
2º lugar: Karina Santos Gontijo Seibt (MG)
3º lugar: Elisabete Kim Shih (MG)

Ciência e Pesquisa

1º lugar: Erika Valente de Medeiros (PE)

Debate sobre o futuro do agronegócio

Além da cerimônia, a 9ª edição do prêmio promoveu debates sobre o futuro do setor. A programação abordou temas como transição energética, mudanças climáticas, tecnologia e inovação no campo.

O painel “Transição Energética e Clima: desafios e oportunidades” reuniu a produtora rural e empresária Dulce Ciocchetta, a gerente de sustentabilidade Claudia Shirozaki e a especialista em energia e biocombustíveis Heloisa Borges. A conversa foi moderada por Catarina Corrêa, gerente executiva de assuntos públicos da Bayer.

Na sequência, o painel “Tecnologia e Inovação: Preparando o Agro para os Próximos Anos” discutiu as oportunidades da ciência e da adoção tecnológica no campo. A conversa contou com a pesquisadora da Embrapa Solos Ana Paula Dias Turetta, a produtora rural Celi Webber e Mayra Theis, sócia e líder da indústria de Agronegócio na PwC Brasil. A mediação ficou com Léa Mayor, vice-presidente de P&D e melhoramento genético da divisão agrícola da Bayer na América Latina.

O Prêmio Mulheres do Agro 2026 contou ainda com o apoio institucional de Andav, Fealq, Fatec Pompeia, Embrapa, Serasa Experian, Fundação Shunji Nishimura, Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável e Nestlé.

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