Santa Catarina conquista 11ª Indicação Geográfica com Frescal de São Joaquim

    Garçom servindo churrasco de Frescal de São Joaquim
    Fotos: Frigozan/Divulgação

    Santa Catarina passou a contar com 11 Indicações Geográficas (IG). Dessa forma, o estado amplia o reconhecimento de produtos com origem certificada. Nesta terça-feira (19/05), o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) oficializou o registro do Frescal de São Joaquim.

    INPI reconhece o Frescal de São Joaquim

    O Frescal de São Joaquim, carne salgada e dessecada tradicional da Serra Catarinense, recebeu o registro na modalidade Indicação de Procedência (IP). A Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) coordenou a delimitação da área geográfica. Em seguida, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) analisou a documentação e confirmou o reconhecimento.

    O processo contou ainda com apoio do Sebrae/SC, da Coopernovilhos, da Faesc e do Sindicato de São Joaquim.

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    O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, destacou os impactos da certificação.

    “A Indicação Geográfica valoriza a história, a cultura e o modo de produção das regiões catarinenses. Além disso, agrega valor aos produtos, abre novos mercados e, consequentemente, gera mais renda e oportunidades para os produtores e para toda a cadeia produtiva”, afirmou.

    Origem e tradição do Frescal

    A história do Frescal de São Joaquim se conecta diretamente à pecuária do Planalto Catarinense. Desde o século 18, tropeiros cruzavam a região e, assim, utilizavam o território como ponto de descanso e engorda de gado no trajeto entre o Rio Grande do Sul e São Paulo.

    Nesse contexto, os produtores passaram a salgar a carne para garantir conservação durante as longas viagens. Posteriormente, as famílias locais aperfeiçoaram a técnica e consolidaram o produto.

    Além disso, o nome “frescal” surgiu há cerca de 50 anos. Um jornalista paulista provou a carne e a definiu como algo entre o charque e a carne fresca. Por isso, a expressão se popularizou em todo o país.

    Produção e características do Frescal de São Joaquim

    A Serra Catarinense influencia diretamente a qualidade do frescal. O gado é criado solto e se alimenta em pastagens de altitude. Além disso, o clima frio contribui para a maciez e o sabor da carne.

    Os produtores mantêm um processo artesanal. Ou seja, eles fazem a salga das peças e realizam a cura ao ar livre ou em ambientes controlados, sempre sem exposição direta ao sol.

    Diferentemente do charque e da carne de sol, o frescal passa por uma maturação curta, de até 48 horas. Assim, o produto preserva a coloração rosada, a suculência e a textura macia.

    Reconhecimentos e importância cultural

    O Frescal de São Joaquim foi o primeiro produto cárneo catarinense a receber o Selo Arte, concedido pela Cidasc. Além disso, o município oficializou o Churrasco de Frescal como prato típico. Dessa forma, o produto também passou a integrar o patrimônio cultural catarinense.

    Indicações Geográficas em Santa Catarina

    Com o novo registro, o Brasil chega a 172 Indicações Geográficas. Desse total, 43 são Denominações de Origem e 129 são Indicações de Procedência.

    Em Santa Catarina, o número sobe para 11 IGs. Entre elas estão Uva Goethe, Banana de Corupá, Queijo Artesanal Serrano, Vinhos de Altitude, Mel de Melato da Bracatinga, Maçã Fuji de São Joaquim, Erva-Mate do Planalto Norte Catarinense, Linguiça Blumenau, Cachaça e Aguardente de Luiz Alves e Banana de Luiz Alves.

    Fortalecimento das Indicações Geográficas

    O estado mantém o Fórum Catarinense de Indicações Geográficas. A iniciativa reúne órgãos públicos, entidades de apoio e universidades.

    Com isso, o grupo promove capacitação técnica, estimula a troca de experiências e fortalece a valorização dos produtos com origem reconhecida.

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