A Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da DECOR/DEIC, deflagrou nesta quinta-feira (09/04) a Operação Dose Extra. A ação começou após auditoria interna do Governo do Estado apontar irregularidades no plano SC Saúde.
O objetivo é desarticular uma organização criminosa suspeita de fraudes e superfaturamento em cirurgias custeadas pelo plano. Foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, principalmente em Florianópolis. Além disso, houve diligências em Palhoça e Joinville. A operação se estendeu a Minas Gerais, Rio de Janeiro e Tocantins.
A ação contou com apoio de todas as Delegacias Especializadas da DEIC, da CECOR e das DECORs, além das Polícias Civis de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Até o momento, não há indícios de envolvimento de servidores públicos.
Auditoria revela problemas em cirurgias do SC Saúde
O caso começou com uma auditoria no SC Saúde. Ela detectou problemas em cirurgias de coluna por via endoscópica. O grupo investigado incluía médicos, empresários e advogados que não eram servidores. Eles usavam negativas administrativas do plano e, em seguida, judicializavam os pedidos de procedimentos.
Superfaturamento em Órteses, Próteses e Materiais Especiais
Nos processos judiciais, os orçamentos de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPMEs) estavam acima do valor de mercado. Os médicos indicavam fornecedores diferentes, mas do mesmo grupo econômico. Dessa forma, simulavam concorrência e mascaravam o superfaturamento.
A análise de 33 procedimentos já aponta prejuízo estimado em R$ 6 milhões aos cofres públicos. Em um caso, uma cirurgia que custaria R$ 29 mil teve pagamento judicial superior a R$ 600 mil. Esses valores foram contabilizados até junho de 2025 e podem aumentar conforme a investigação avança.
Medidas judiciais e investigação em andamento
A Vara Estadual de Organizações Criminosas determinou busca e apreensão de 35 veículos, duas motos aquáticas e uma embarcação. Também decretou a indisponibilidade de bens e valores dos suspeitos até R$ 10 milhões. Além disso, cinco empresas investigadas estão proibidas de contratar com o Estado.
Os suspeitos respondem por Organização Criminosa e Estelionato Majorado. Todo o material apreendido será periciado pela Polícia Científica. A DECOR/DEIC vai analisar os documentos para identificar outros envolvidos e detalhar cada conduta criminosa.











