Sujismundos

dois funcionários da comcap recolhem lixo com pás ao lado de dois caminhões da companhia
É comum ver grande quantidade de lixo acumulada na região do viaduto da Av. Josué di Bernardi - Foto: PMF/Divulgação

A prefeitura de Florianópolis, depois de muita reclamação e inatividade, entendeu que o problema do descarte de lixo em locais públicos pela cidade é importante. Lidera, agora, um movimento para promover melhorias nos locais mais degradados, entre eles o viaduto da Avenida Josué Di Bernardi, na divisa com São José.

Locais assim – e são mais de 160 detectados pela região – são os piores cartões postais possíveis para uma metrópole que se pretende vender como capital ecológica do país. Por este motivo, a iniciativa vem tarde, muito tarde. E vem através de um projeto com falhas graves, já que privilegia a recuperação visual, resistindo em dar atenção à necessidade de uma forte campanha educativa.

Enfeitar a casa pode resolver o problema imediato, porém, se os seus moradores não entenderem que precisam mantê-la limpa, lavar a louça e varrer o chão todos os dias e tirar o pó uma vez ou duas por semana, em breve ela voltará a ficar emporcalhada e inabitável – e o investimento feito para embelezá-la se perderá.

Sujismundos II
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Para quem não lembra ou não entendeu o título, “Sujismundo” foi uma campanha promovida pelo governo federal entre 1971 e 1978 – talvez uma das poucas coisas positivas que poderemos relatar a respeito do período militar. Com o lema “Povo Limpo é Povo Desenvolvido”, o personagem Sujismundo era um porcalhão, com péssimos hábitos de higiene e limpeza. Ele serviu para alertar, de forma divertida, sobre as práticas comuns, mas pouco elogiáveis, do povo brasileiro, quanto aos cuidados consigo e com o ambiente.

desenho de um homem de terno completamente sujo da cabeça aos pés
Sujismundo caiu no gosto popular

A campanha foi tão bem sucedida que todos simpatizavam com o Sujismundo, mas ninguém, claro, queria ser como ele. Funcionando como uma “carapuça”, virou tema de gozação entre as pessoas que procuravam identificar, entre os colegas, conhecidos, familiares e até de autoridades os verdadeiros “sujismundos”, que longe de serem porcalhões intencionais, eram apenas cidadãos comuns, descuidados com a limpeza do ambiente por maus-hábitos adquiridos. Enfim, pessoas que sujavam as ruas por uma questão de educação e falta de informação. Atuando como um símbolo contra o acúmulo do lixo, de maneira irresponsável e inconsciente, o personagem Sujismundo cumpriu plenamente sua missão, sendo até hoje lembrado com saudades pela geração do seu tempo.

Sujismundos III

E o que se vê, por todos os cantos da ilha e da região continental, nada mais é que o resultado de falhas básicas de educação e de respeito com o próximo. Longe de serem agressivas ou intencionais, as pessoas que cometem esses pecados são, na maioria, apenas negligentes, algo que, com algumas iniciativas de comunicação, poderia ser resolvido.

Então, por que, senhores, nossos governantes preferem, primeiro, deixar o problema crescer a ponto de ficar insustentável, para depois, em vez de discutir realmente em busca de soluções, optam por iniciativas que não vão, obviamente, funcionar a curto prazo?

Campanha eleitoral

Começam os programas eleitorais na TV e no Rádio. Aqueles que todo mundo fala que não gosta, mas que a maioria assiste, porque sabe que tentar escolher bem os candidatos é importante. Em um momento em que muitos brasileiros estão sendo egoístas e pensando no próprio bolso e umbigos, é bom lembrar que, ao escolher o voto, precisamos pensar no bem estar de todos, e não somente no nosso.

Mais atrasos

A descoberta de mais um esqueleto humano, provavelmente pré-histórico, nas escavações do elevado do Rio Tavares, na última quarta-feira, não deve atrasar ainda mais as obras de construção. Essa é a expectativa do pessoal da prefeitura. Na realidade, o que pode acontecer é que, em algum momento, tudo pare de novo, se o instituto norte-americano que analisará a ossada detectar que o achado é arqueologicamente importante.

Do jeito que anda, a obra estará concluída um pouco antes de os veículos de passeio voarem e não precisarem mais dela.

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