Surpresa nas urnas

fodo do prédio sede do governo, com gramados e árvores na frente e a bandeira de sc
Foto: Divulgação

A chegada do candidato do PSL, Comandante Moisés, ao segundo turno das eleições para governador foi a grande surpresa eleitoral que saiu das urnas. Enquanto a eleição de um grande número de deputados estaduais e federais ligados ao partido era previsível, até os 45 minutos do segundo tempo ninguém apostaria um centavo no cavalo bolsonarista.

Alguns analistas avaliam que isso pode ter acontecido por dois motivos: o baixo interesse do eleitor pela eleição aos cargos abaixo da presidência da República (o que teria levado a votos menos convictos e mais “no piloto automático”) e ao efeito impessoal do voto através da urna eletrônica, quando muitos eleitores tendem, para simplificar o processo, a decorar o número do seu principal candidato e repeti-lo na votação aos demais cargos.

Moisés, no entanto, levou um balde de água fria em seguida, quando o seu candidato a presidente optou por negar-lhe apoio exclusivo e ficar neutro na disputa, já que Gelson Merísio também declarou apoio a Bolsonaro ainda no primeiro turno.

Cláusula de Barreira
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As mudanças no quadro de representação dos partidos, em função da extinção compulsória dos pequenos, que não conseguiram vencer a cláusula de barreira (1,5% da votação total, com ao menos 1% em nove estados; ou 9 deputados em 9 estados diferentes), não deverá atingir Santa Catarina. Todos os deputados e senadores eleitos no estado estão em partidos que atingiram o patamar mínimo para continuarem existindo sem maiores problemas.
Algum impacto, no entanto, ocorrerá em algumas câmaras de vereadores, onde parlamentares eleitos, entre outros, pelo PCdoB, PHS e PPL, precisarão providenciar troca de partido.

Políticos desolados

O cenário na Assembleia, esta semana, era de desolação. Com exceção do PT, que não foi diretamente afetado pelo fenômeno de extrema direita em sua votação para a Casa Legislativa catarinense, os partidos tradicionais tiveram grandes perdas eleitorais em 2018. Mesmo quem conseguiu se reeleger teve que amargar redução significativa em seu eleitorado.

Cultura solidária

Apesar do forte perfil conservador e da intensidade da onda Bolsonaro no estado, Florianópolis deu ao presidenciável Guilherme Boulos (PSOL) a maior votação proporcional em todo o Brasil: quase 2% dos votos dos florianopolitanos foram dirigidos ao candidato. Leonel Camasão, postulante ao governo catarinense, também obteve na cidade a sua maior votação, proporcionalmente ao eleitorado: significativos 7,95%. Grande parte deste apoio vem da cultura solidária de parte importante da população e de grupos com forte atuação ambientalista.

Marretadas e sangue

Toda eleição tem casos pitorescos, mas essa, em especial, ficará na história por causa de episódios de verdadeira rebeldia eleitoral. Além do caso do eleitor catarinense que destruiu uma urna a marretadas, outro me chamou atenção, em que uma eleitora levou sangue, armazenado em um absorvente, e despejou sobre o equipamento, após declarar seu voto. Se foi protesto ou mandinga, não se sabe, mas que está sendo uma eleição muito louca, isso está.

Reconhecimento

Na próxima semana estarei em São Paulo, participando de atividades do programa CorageNatura, que acolhe pessoas de perfil empreendedor, em diversas áreas, com o objetivo de desenvolver e financiar propostas de novas startups para a criação de soluções inovadoras.
Meu projeto “JornalSocial”, que oferece capacitação e desenvolvimento de adolescentes e adultos para a criação de alternativas em Comunicação Comunitária em pequenos nichos sociais foi a porta de entrada para o programa, que escolheu 125 empreendedores entre mais de vinte e dois mil participantes de todo o Brasil. Estou comemorando.

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