O Brasil possui atualmente 2,4 milhões de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o equivalente a 1,2% da população. O IBGE divulgou os dados do Censo Demográfico 2022 em 2025, no primeiro levantamento nacional que incluiu informações sobre autismo. O cenário mostra uma demanda crescente por diagnóstico precoce, intervenção especializada e acompanhamento contínuo. Em Santa Catarina, 91,6 mil pessoas estão no espectro. Na macrorregião de Florianópolis, 7.227 pessoas têm TEA.
Os números mostram maior prevalência entre homens (1,5%) do que entre mulheres (0,9%). A incidência também aparece de forma mais elevada entre crianças, principalmente na faixa etária de 5 a 9 anos. Para profissionais da área da saúde e do neurodesenvolvimento, os dados refletem o aumento significativo dos diagnósticos nos últimos anos.
“O avanço dos diagnósticos de autismo representa uma mudança importante na forma como a sociedade compreende o neurodesenvolvimento. Hoje temos mais informação, mais acesso à avaliação especializada e maior conscientização das famílias. O desafio agora é garantir que esse aumento da demanda seja acompanhado por estruturas de atendimento capazes de oferecer intervenções de qualidade e apoio contínuo às famílias”, destaca a CEO da Bem Criar, Joice Melo.
Aumento dos diagnósticos não significa mais casos de autismo
O aumento dos diagnósticos não indica, necessariamente, que o número de pessoas com autismo cresceu na mesma proporção. “Há algumas décadas, apenas casos com manifestações mais evidentes costumavam chegar à identificação. Com o reconhecimento do autismo como um espectro, os profissionais passaram a incluir casos mais sutis que antes não recebiam diagnóstico”, explica o CEO da Crescentis, Tiago Lucero.
A maior conscientização da sociedade também contribuiu para esse cenário. Atualmente, famílias, escolas e profissionais de saúde observam com mais atenção sinais como atrasos na fala, dificuldades de interação social, alterações sensoriais e comportamentais. Esse movimento levou mais pessoas a buscar orientação profissional, incluindo adultos que não receberam diagnóstico durante a infância.
Embora a comunidade científica continue pesquisando fatores genéticos relacionados ao autismo, a evolução dos critérios clínicos e a maior procura por avaliações especializadas ampliaram o número de diagnósticos.











