Florianópolis encontra vestígios da antiga Estação Radiotelegráfica da Lagoa da Conceição

Achado arqueológico será exposto ao público na rotatória da Rua Henrique Vera do Nascimento de acesso à nova ponte da Lagoa

Foto do achado arqueológico na Lagoa da Conceição
Foto: PMF/Divulgação

A Prefeitura de Florianópolis vai expor ao público um achado arqueológico encontrado durante as obras de revitalização do entorno da nova ponte da Lagoa da Conceição. Inicialmente, a peça ficará no canteiro central da rótula da Rua Henrique Vera do Nascimento, no acesso à nova ponte. Além disso, a instalação deve ser concluída em cerca de duas semanas.

A Secretaria de Infraestrutura e Manutenção da Cidade já iniciou a preparação do espaço. Assim, o bloco rochoso ficará sobre uma base de concreto e contará com duas placas explicativas. Ao mesmo tempo, o local receberá uma calçada para garantir a circulação segura de pedestres.

O achado arqueológico consiste em um grande bloco rochoso natural com marcas de uso humano. Segundo os estudos, a peça pode ter servido como base estrutural, conhecida como “sapata”, de uma antena da Estação Radiotelegráfica da Lagoa, que funcionou entre 1912 e 1914. Por outro lado, outra hipótese aponta que o bloco auxiliou na movimentação das madeiras utilizadas na construção da estação.

Peça preserva parte da história da Lagoa da Conceição

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O bloco foi encontrado próximo à cabeceira da antiga ponte da Lagoa da Conceição, no lado da Avenida das Rendeiras. Ao todo, a estrutura mede 167 centímetros de altura por 78 centímetros de largura.

A rocha apresenta matriz acinzentada com variações naturais de composição. Além disso, possui áreas esbranquiçadas provocadas por calcário e conchas incrustadas na superfície. Da mesma forma, técnicos identificaram perfurações nas extremidades. Em uma delas, há uma cavidade de três centímetros de diâmetro com um elemento de ferro pontiagudo. Já na outra, existe uma abertura de 28 centímetros que preserva um fragmento de madeira.

Após a desativação da Estação Radiotelegráfica, a população passou a chamar o bloco de Pedra do Biguá. Desde então, a estrutura integrou a paisagem e a memória coletiva da Lagoa da Conceição.

Estação teve papel estratégico no litoral catarinense

O acompanhamento arqueológico das obras atendeu às diretrizes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Dessa forma, o projeto garantiu a preservação dos vestígios históricos encontrados durante a revitalização.

No início do século XX, a Lagoa da Conceição fez parte da rede brasileira de radiotelegrafia. Na época, a tecnologia permitia transmitir mensagens a longas distâncias por meio de sinais de rádio.

A Estação Radiotelegráfica funcionava onde hoje está o Centro Cultural Bento Silvério, conhecido como Casarão da Lagoa. Com isso, o espaço desempenhou papel estratégico na comunicação marítima, auxiliando a navegação e o monitoramento do litoral. Além disso, conectava Florianópolis a outras regiões do país.

Segundo o prefeito Topázio Neto, preservar o achado fortalece a identidade cultural da cidade.

“A valorização dessa estrutura histórica permite compreender as transformações da Lagoa da Conceição, desde um espaço de uso técnico e estratégico até um território de convivência, lazer e identidade cultural. Além disso, preservar esses vestígios é reconhecer a diversidade de histórias que compõem a memória da cidade. Preservar este patrimônio é valorizar a história, a cultura e a identidade de Florianópolis”, afirmou.

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